A Cidade e as Árvores II

Destaques Ana Isabel da Costa e Silva

Ana Isabel da Costa e Silva *

Preocupados com a higiene e a qualidade do ar das cidades, Haussmann e Cerdá aliaram a composição geométrica regular do traçado com a presença de elementos naturais organizados ao longo de arruamentos cuja exceção acontecia quando as ruas encontravam praças ou parques. 
Cerdá implementou um ritmo de serviços ao longo do traçado, como por exemplo um mercado a cada (900) novecentos metros, e um parque, uma igreja, um cemitério e um hospital a cada (1500) mil e quinhentos metros. 
Atualmente, utilizando o traçado de Cerdá, Barcelona está a reabilitar as ruas para garantir até 2030 (21) vinte e um eixos verdes e (21) vinte e uma praças, no bairro central L’Eixample, o que mostra preocupação com as pessoas e com o meio ambiente, garantindo uma praça ou um ambiente verde a cada (200) duzentos metros de distância, proporcionando espaços para diversão e sociabilização8.
Em cidades que não tiveram a mesma sorte, ou seja, não foram sujeitas a um traçado regulador capaz de aguentar as pressões urbanas como o aumento da construção em altura, espaço para estacionamento para o transporte individual e lugar para o funcionamento de uma exemplar rede de transportes públicos, a presença de árvores tornou-se uma imposição (era uma moda) e, a certa altura, um estorvo e sorvedouro de custos. 
Se, em Dezembro de 2023, foi necessário abater catorze árvores na Avenida Dr. Aníbal Beleza, qual é a alternativa para a qualidade de vida na nossa cidade? Após o abate das árvores, qual é o novo desenho para o perfil da rua? Não haverá reposição do conjunto arbóreo? 
Certamente, devido à incúria que caracterizou o tempo da plantação das árvores até aos nossos dias, o alívio será grande para os habitantes dos prédios da Avenida Dr. Aníbal Beleza. Mas quando chegar o sol rasante, que entra na casa pela manhã e aquece em demasia, obrigando a gastar energia para ligar o moderno ar condicionado, pensarão, justamente, na falta que as árvores fazem...  
Esta não é, de forma alguma, a solução para o futuro. Precisamos de ruas arborizadas, com espécies adequadas às diferentes circunstâncias da malha urbana, uma vez que há múltiplos benefícios em ter árvores nos espaços urbanos, pois elas são termorreguladoras da temperatura do ar, são reguladores da humidade atmosférica, de luminosidade e reflexão da luz, permitem reduzir a velocidade do vento, reduzem a poluição do ar, promovem a infiltração em caso de excesso de pluviosidade, para não falar dos benefícios económicos, sociais e estéticos.
(continua) 
 

  * Arquiteta de Oliveira de Azeméis, Ph.D., Master Architect. 
 

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