AMTSM explicou o processo da ETAR do Salgueiro à população

Santiago de Riba - Ul Concelho

Três dezenas de populares participaram na sessão de esclarecimento

> Sessão de esclarecimento foi o local escolhido

A Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM) promoveu, no final da tarde de quarta-feira, 30 de julho, uma sessão técnica de esclarecimento ETAR, realizada na ETAR do Salgueiro, na freguesia de Santiago de Riba-Ul, abordando a poluição no rio e as ações em curso para a reabilitação da ETAR. Teresa Pouzada, Secretária-Geral da AMTSM, reconheceu a indignação da população, garantindo que ninguém está satisfeito com a situação.

O Problema Persistente. A ETAR do Salgueiro, construída no final da década de 1980 e "teoricamente morta", opera com falhas de projeto e tratamento de lamas deficiente, sendo incapaz de dar resposta às necessidades atuais. Embora o problema tenha sido identificado há anos, só "no início de 2024 foi identificado pelo governo como grave problema ambiental", com vasto impacto económico e social no território, como explicou Teresa Pouzada.
A secretária-geral da AMTSM informou, ainda, que as intervenções tentadas em 2017 falharam devido a problemas com o empreiteiro. O custo estimado para a reabilitação desta ETAR e da de Ossela, que formam o mesmo sistema, ascende a 45 milhões de euros, sendo 32 destinados apenas ao Salgueiro, “porque depois os técnicos perceberam que tinha que ser feito uma ETAR nova, que todo o sistema dos emissários era preciso ser recuperado”, detalhou Pouzada.
Filipa Ferreira, engenheira da Hidra, empresa especializada em infraestruturas urbanas e serviços de água, acrescentou que os custos iniciais eram muito menores, mas “o conhecimento que vamos cada vez mais adquirindo nos permite perceber a dimensão do problema”.

A solução em marcha.O projeto de reabilitação, liderado pela empresa Hidra e com o apoio da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), prevê a construção de uma ETAR “quase nova”, conforme Filipa Ferreira. As obras, previstas para dois anos, incluirão a remodelação total da fase líquida, desodorização, desinfeção final por ultravioleta, remoção de nutrientes, e produção de energia através de gás metano e painéis solares. A engenheira adiantou que rapidamente se sentirão melhorias, “não vai ser preciso os dois anos para se começar a sentir”. Como medida imediata para minorar o problema do odor está o aluguer de um equipamento para a desidratação de lamas, que encontra em processo de adjudicação. Teresa Pouzada acrescentou que “tratar as lamas vai reduzir o problema dos odores, mas não o elimina”.
Um elemento distintivo do projeto é a criação de um Parque Urbano Inundável, com valor estimado de 900 mil euros, adjacente à ETAR, que servirá para mitigar cheias e oferecer um espaço de lazer com parque de merendas e infantil. A área ribeirinha será reabilitada para acesso público, com vegetação irrigada por água tratada da ETAR. A intervenção abrange também a reabilitação dos emissários

Desafios e Compromisso Coletivo. Apesar dos desafios burocráticos, como a obtenção do Reconhecimento de Relevante Interesse Público, o processo avançou rapidamente, com a candidatura aprovada em apenas um mês.
A questão das descargas ilegais, tanto industriais como domésticas, foi amplamente debatida devido ao público presente na sessão. Ana Paula Malo, da APA, confirmou a monitorização da qualidade da água do rio e dos emissários, atuando contra infratores e destacando que “a APA está a acompanhar este problema" há "mais de 10 anos”. O projeto "Guardiões do Rio", que procura identificar e rastrear estas descargas, é essencial neste combate, embora a deteção seja complexa e “não se consegue identificar quem foi o infrator”, como admitiu Daniel Cardoso, representante da Indaqua Feira, presente no público.
Os representantes da AMTSM, Hidra, APA e as entidades gestoras em baixa, como a Indaqua Feira e Luságua, reforçam o seu empenho conjunto na solução. Um novo contrato com a Luságua, em vigor a partir de 1 de agosto, prevê uma fiscalização mais rigorosa da operação da ETAR, conforme anunciado por Teresa Pouzada.
A sessão destacou, ainda, a importância da educação ambiental e da colaboração cidadã para a resolução do problema, com Ana Paula Malo enfatizando que “queremos é educar todas as empresas, educar as pessoas”, e Filipa Ferreira mencionando que a futura ETAR terá serviços educativos para “ensinar as crianças”. A AMTSM promete manter um canal de comunicação aberto com a comunidade, incentivando a denúncia e o esclarecimento direto, conforme Teresa Pouzada.

 

>30 pessoas marcaram presença na sessão
Público mostrou-se descontente
Cerca de três dezenas de pessoas marcaram presença na sessão de esclarecimento, organizada pela AMTSM, e desempenharam um papel ativo e crucial, expressando descontentamento, colocando questões diretas e partilhando as suas vivências face ao problema da poluição no rio e ao mau cheiro da ETAR.
A ausência do presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge, foi rapidamente notada pela população, que mencionou “Ele devia estar aqui para dar a cara”, no entanto Teresa Pouzada informou que não foram convidadas personalidades autárquicas para não tornar a questão política.
Um dos participantes, proprietário de um restaurante próximo à ETAR, expressou o seu sofrimento pessoal e financeiro devido ao mau cheiro, referindo que já perdeu clientes e questionou as medidas imediatas para mitigar o problema até que as obras estejam concluídas. Demonstrou, ainda, um certo ceticismo em relação às promessas e prazos, mencionando que “muito provavelmente eu fecho o restaurante antes disto estar e pronto.
O ceticismo marcou presença em vários membros do público, como outro habitante, de 80 anos, questionou a falta de ação ao longo de 40 anos, comparando as promessas atuais com as do passado e expressando desilusão: “ Eu acredito nas vossas intenções, mas com a idade que tenho, já vi muita coisa”.
O público mencionou também a entrevista de Pouzada ao Correio de Azeméis e abordou a indústria que estava identificada como poluente. A população criticou a inação contra empresas que poluem devido à manutenção de postos de trabalho, indicando um contraste com a impunidade das grandes empresas face aos particulares.
A secretária-geral da AMTSM, Teresa Pouzada, e a representante da APA, Ana Paula Malo, reconheceram a importância da participação cívica do público e incentivaram a continuidade das denúncias e o contacto direto com a associação para esclarecimentos, pois a colaboração dos cidadãos é fundamental para a fiscalização e identificação de infratores.
 

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