As Rotundas e as Praças (II)

Ana Isabel da Costa e Silva

> Arq. Ana Isabel da Costa e Silva

...com o movimento constante e a urgência de seguir, a cidade aprendeu a conviver com o que se vê, sem se deter.
A permeabilidade urbana, os eixos que ligam os diferentes tecidos e a continuidade do espaço público são essenciais à vitalidade de uma cidade.
Durante muito tempo, Oliveira de Azeméis viveu desse equilíbrio subtil entre circulação e permanência. A lógica de atravessamento faz parte da genealogia da “nossa Vila Olivaria”, cuja referência mais antiga remonta a 922, como Villa Uliuária, uma propriedade rural de origem romana, mais tarde transformada em freguesia. O seu crescimento como urbe construiu-se no diálogo constante entre quem passava e quem permanecia.
Mais tarde, a Estrada Nacional 1 consolidou essa vocação, estruturando a ligação entre o norte e o sul do país. A cidade tornava-se vibrante pelo movimento que acolhia, onde diferentes formas de mobilidade se cruzavam com múltiplas formas de permanência. Se era inevitável passar, havia sempre uma razão para parar.
A construção do IC2 trouxe uma mudança na atmosfera da cidade, uma vez que permitiu o desvio do tráfego, não apenas do pesado, mas também outros fluxos, e, com ele, grande parte da vida quotidiana. Paulatinamente e de forma silenciosa, o centro foi-se esvaziando.
Com a proliferação de rotundas, desenha-se uma cidade pensada, sobretudo, para o fluxo. Mas uma cidade não pode viver apenas do atravessamento: precisa de lugares onde o tempo abranda, onde as pessoas se encontram e onde a vida acontece. 
Mas uma praça pode ser planeada, mas o que realmente faz uma praça “acontecer” vai muito além da decisão política e técnica. 

(continua)
 
  * Arquiteta, aste.arquitetura.pt e docente universitária
anadacostaesilva@correiodeazemeis.pt

 

A lógica de atravessamento faz parte da genealogia da “nossa Vila Olivaria”

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