16 Jul 2026
> Francisca Bastos (PS)
Há um provérbio que sobrevive às modas: em equipa que ganha não se mexe. Não porque tudo o que funciona seja perfeito, mas porque mudar nunca pode ser um objetivo em si mesmo. Muda-se para melhorar. quando assim não é, muda-se apenas para dizer que se mudou.
Os exames nacionais trouxeram procedimentos diferentes e uma promessa de modernização. No meio de tanta novidade ficou uma pergunta por responder: o que melhorou?
É difícil compreender a urgência em alterar os mecanismos de correção que sempre funcionaram, quando continuam intocadas as questões que condicionam a qualidade da educação.
Enquanto se muda a forma como os exames são corrigidos, ninguém parou para perguntar se aquilo que continuam a avaliar responde ao mundo em que vivemos. Continuamos a pedir aos alunos que memorizem mais do que compreendam e estudem para o exame em vez de aprenderem para a vida. Talvez o problema nunca tenha estado na forma como corrigimos uma prova, mas naquilo que insistimos em considerar digno de ser avaliado.
No entanto, foi sobre o acessório que se concentrou a discussão.
Reformas desta dimensão exigem preparação e estabilidade. Exigem ouvir quem conhece a escola. Professores e alunos não podem ser ouvidos apenas quando chegam as consequências, têm de ter uma palavra a dizer, antes que uma decisão lhes seja imposta. Porque são sempre os mesmos a adaptar-se, sempre os mesmos a viver a incerteza e os mesmos a assumir os riscos quando as mudanças falham.
Os exames nacionais deste ano revelaram mais do que falhas num processo. Revelaram um sistema preocupado em demonstrar que muda e pouco empenhado em garantir que melhora.
A escola precisa de mudar. Mas precisa de mudar onde faz falta. Há erros que se corrigem no ano seguinte, já a serenidade com que um jovem devia enfrentar os exames de que depende o seu futuro, essa, não se repõe.
* Estudante do Ensino Secundário e Militante da Juventude Socialista de Oliveira de Azeméis