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PS Opinião Política

> Hélder Simões (PS)

Perante a guerra no Irão e a escalada das tensões no Médio Oriente, o Governo português tem-se preocupado mais em acompanhar Donald Trump e muito pouco em proteger os portugueses e ter uma posição mais alinhada com a Europa.
Não se trata de escolher lados numa guerra. Trata-se de afirmar uma política externa soberana, europeia e assente no direito internacional. Um país como Portugal não pode confundir solidariedade entre aliados com aceitação acrítica das decisões de uma potência estrangeira.
A Guerra do Médio Oriente tem provocado baixas humanas e materiais, mas tem uma consequência que chega diretamente aos bolsos dos portugueses. O petróleo já ultrapassou os 100 dólares por barril e o choque energético está a pressionar combustíveis, transportes, produção e, inevitavelmente, o custo de vida.
Em Portugal, os combustíveis estão a atingir valores recorde, provocando um generalizado aumento dos preços e dos juros nos créditos à habitação, o que leva a impactos significativos no orçamento familiar.
É por isso que não basta dizer aos portugueses, numa comunicação ao país, a repetição das medidas já anunciadas, que os aumentos são inevitáveis e que não há margem para mais… O próprio Governo reconhece a dimensão do problema, mas está hoje, por culpa própria sem uma estratégia mais arrojada para mitigar os impactos desta conjuntura porque desbaratou toda a margem orçamental herdada.
Criticável também a incoerência de Luís Montenegro e de Miranda Sarmento, grandes defensores, num passado recente, de descidas no IVA dos combustíveis como forma de apoio aos cidadãos e no presente defenderem, precisamente, a irresponsabilidade de propostas dessa natureza.
Precisamos de voz própria, alinhada com a Europa, capaz de nos defender e com uma política externa que não seja uma extensão das decisões de Washington. A paz não se constrói com submissão e a soberania não se mede pela proximidade ao poder de quem manda mais. Mede-se pela capacidade de defender os nossos interesses — sobretudo quando são os portugueses que pagam a fatura.

 * Presidente da Comissão Política Concelhia do PS e vereador na Câmara Municipal

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