7 May 2026
Carlos Braga*
Opinião Política > Carlos Braga
O Quintas fechou. Quantas mais lojas têm de fechar para que a câmara acorde?
Quantas mais lojas têm de encerrar portas para que a Câmara acorde finalmente para a realidade do centro de Oliveira de Azeméis?
O encerramento da Casa Quintas não foi apenas o fim de um negócio. Foi o desaparecimento de uma referência, de um espaço que fazia parte da identidade da cidade. Infelizmente, é mais um sinal visível de um problema profundo que se tem vindo a agravar no coração do concelho — e que continua a ser tratado com uma preocupante passividade.
O PSD já alertou para um “declínio absoluto do comércio local” e que Oliveira de Azeméis corre o risco de perder o seu comércio tradicional se não forem tomadas medidas estruturais e consistentes. No entanto, a resposta política não acompanha a dimensão do problema.
Num orçamento municipal de 68,5 milhões de euros, apenas cerca de 580 mil euros são destinados à área das empresas e do comércio — menos de 1% do total. Enquanto isso, para obras, para comunicação, para eventos, o dinheiro aparece, falta uma aposta clara na revitalização económica do centro da cidade. Para quem tenta manter um negócio aberto todos os dias, o apoio é escasso e muitas vezes inexistente.
O projeto Comércio com História, continua sem aplicação prática no terreno. Muitos comerciantes nem sequer conhecem as medidas anunciadas. Paralelamente, o Mercado Municipal permanece em obras sem um prazo concreto de conclusão, retirando ao centro urbano um equipamento essencial que poderia funcionar como motor de dinamização económica e social.
Este é o resultado de escolhas políticas e de prioridades definidas. Outros municípios têm conseguido inverter esta tendência com medidas simples e eficazes: fundos de apoio direto ao comércio tradicional, gabinetes técnicos de proximidade para ajudar empresários a candidatar-se a programas do Portugal 2030, incentivos à ocupação de lojas devolutas com rendas reduzidas e estratégias ativas de reabilitação do centro histórico. Em Oliveira de Azeméis, falta visão e falta urgência. Não basta reconhecer o problema em discursos ocasionais. É preciso agir com medidas concretas, com calendário definido e com investimento real. O que está em causa não é apenas a sobrevivência de lojas individuais. É a vitalidade do centro da cidade, a sua identidade e o seu futuro económico e social.
O Quintas fechou.
*Membro da Comissão Política do PSD de Oliveira de Azeméis