18 Jun 2026
> Pedro Marques (PSD)
Quando os pais dormem na rua, a Câmara falhou
Na última reunião de Câmara alertei para uma situação que considero inadmissível: pais a passarem a noite à porta do Centro Lúdico para garantirem uma vaga para os seus filhos nas atividades de férias.
Esta imagem não é apenas o reflexo da elevada procura por um serviço de qualidade. É, sobretudo, o retrato de uma Câmara Municipal que falhou no planeamento e continua a falhar na modernização dos seus serviços.
Em 2026, quando tratamos de assuntos bancários, fiscais e administrativos através do telemóvel ou do computador, é incompreensível que uma autarquia continue a obrigar os cidadãos a recorrer a filas presenciais para aceder a um serviço municipal. Mais incompreensível ainda é ouvir que uma plataforma digital não resolveria o problema porque não criaria mais vagas.
Esse argumento falha o essencial. Uma plataforma digital não aumenta a oferta, mas garante transparência, igualdade de acesso e respeito pelos cidadãos. Evita que o acesso a um serviço dependa da disponibilidade para passar uma noite ao relento. Evita que quem trabalha por turnos, tem filhos pequenos ou limitações pessoais fique em desvantagem.
O que aconteceu demonstra que a modernização administrativa da Câmara Municipal continua demasiado centrada nos discursos e demasiado afastada da realidade. A verdadeira transformação digital não se mede por apresentações ou anúncios. Mede-se pela capacidade de simplificar a vida das pessoas e de tornar os serviços públicos mais acessíveis, eficientes e justos.
Mas este caso revela também outra falha: a falta de capacidade para antecipar problemas. A elevada procura por estas atividades não é uma novidade. Era conhecida e previsível. Cabia ao Município preparar-se, criar mecanismos de inscrição adequados e procurar reforçar a resposta disponível.
As famílias de Oliveira de Azeméis merecem mais. Merecem uma Câmara que planeie, que inove e que coloque os cidadãos no centro das suas decisões. Merecem serviços públicos compatíveis com o século XXI.
Porque quando os pais são obrigados a dormir na rua para garantir uma vaga para os seus filhos, não estamos perante uma inevitabilidade. Estamos perante uma escolha de quem não investiu na modernização dos processos nem preparou atempadamente respostas para uma necessidade que já conhecia. E quando isso acontece, a responsabilidade não é das famílias.
É da Câmara Municipal.
*Presidente da Comissão Política do PSD e vereador