De emigrante a empresário de sucesso

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José Duarte Almeida Alves (ao centro) e Maria de Fátima estiveram na Azeméis TV, em entrevista conduzida por Eduardo Costa, diretor do Correio de Azeméis

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Comendador ligado à comunidade portuguesa no Brasil, empresário em Santos e rosto de uma vida construída entre duas margens do Atlântico, José Duarte Almeida Alves levou à Azeméis TV a história de quem saiu de Vale de Cambra em 1975 e transformou a emigração num percurso de afirmação. A conversa, conduzida por Eduardo Costa, diretor do Correio de Azeméis, recuperou também as raízes que continuam a prendê-lo a Oliveira de Azeméis.

 

“Uma história de vida interessantíssima”
Eduardo Costa apresentou José Duarte Almeida Alves e Maria de Fátima como “dois convidados muito especiais” e explicou que acompanha aquela história há quase um quarto de século. O tom da entrevista foi de proximidade, mas também de reconhecimento pelo percurso de um homem que partiu num tempo incerto, se afirmou no Brasil e continuou a regressar à região.
Antes da partida, José Duarte era professor de Educação Física em Vale de Cambra e em Sever do Vouga. Regressou da Guiné em setembro de 1973 e retomou a escola, mas o país que encontrou depois do 25 de Abril vivia instabilidade, também no ensino. Foi nesse contexto que conheceu Maria de Fátima, em Oliveira de Azeméis, através de ligações familiares.

A aventura começou em 1975
Em agosto de 1975, convidado pelos tios de Maria de Fátima, José Duarte atravessou o Atlântico. Não foi apenas conhecer o Brasil. Ia solteiro, mas já com a possibilidade de ficar. “Eu fiz essa aventura de ir para o Brasil”, recordou o comendador.
Os primeiros meses foram de adaptação, longe da rede de amizades que tinha em Portugal. O casamento com Maria de Fátima e o apoio da família dela ajudaram-no a fixar-se em Santos, cidade onde a presença portuguesa continuava a marcar o comércio, a construção civil e a vida associativa.

De professor a empresário
Foi em Santos que o antigo professor se fez comerciante e empresário. Entrou na área dos utensílios, equipamentos de hotelaria e cozinhas industriais, setor em que construiu uma carreira sólida e reconhecida.
A ligação à região manteve-se também pela via empresarial. José Duarte foi administrador da ARSOPI no Brasil durante dez anos, como procurador e homem de confiança da empresa. Mesmo instalado do outro lado do Atlântico, nunca perdeu a ligação a Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis, terras que diz trazer “sempre no coração”.

 

Maria de Fátima reforça a ponte oliveirense
A entrevista trouxe também a história de Maria de Fátima. Brasileira de nascimento, veio a Portugal pela primeira vez aos 14 anos e disse ter-se identificado “automaticamente” com o país. Chegou a ponderar estudar em Coimbra, mas a vida levou-a de volta ao Brasil, ao lado de José Duarte.
O avô, Augusto da Silva Pereira, foi maestro da Banda de Santiago de Riba-Ul. A conversa recuperou ainda referências à Adega Mota e à família Paul, numa rede de memórias que ajuda a explicar por que razão Santos, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis continuam tão presentes na vida do casal.
Entre a partida, o sucesso empresarial e os regressos frequentes a Portugal, José Duarte Almeida Alves fica como retrato de uma geração que emigrou, venceu pelo trabalho e nunca deixou de afirmar as raízes.

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