31 Jul 2025
> Pensamento Livre
Estou sentado numa esplanada na nossa rua pedonal e faço o exercício do filme da vida. Não, não estou nostálgico nem com vontade de ter menos idade; nem em nenhuma crise existencial. Estou, sim, a observar apenas, a sentir o vento na cara e nas pernas e a pensar o quanto a vida é boa se for vivida. A pensar no peso e na responsabilidade dos anos, no quanto as cidades e os espaços também crescem e evoluem. Aqui, onde estou, já passaram milhões de carros, camiões, motas e bicicletas, até. Era a principal estrada que ligava o Porto a Lisboa. Por aqui passou todo o desenvolvimento de um País. Este pequeno troço de estrada desempenhou na perfeição o seu papel. Agora também o desempenha, mas noutro papel. Agora vejo ali um casal a passear a filhota que a espaços se senta no tapete verde. Vejo o esvoaçar dos papagaios que felizes espalham mensagens de amor e solidariedade. Vejo ali mais ao fundo fardas de Bombeiros que assinalam e homenageiam estes Homens e Mulheres em todas as horas e momentos. Vejo a senhora que lança milho e pão aos pombos e os trata por “meus meninos”. A senhora de idade que empurra o carrinho de bebé e o estaciona mesmo no meio do bando de pombos que partilham a sua felicidade com a menina e esvoaçam por cima dela. Roupa a secar às janelas sem medo da poluição dos carros. Vejo quatro cafés abertos apesar das poucas pessoas que andam na rua. Mas o calor que está também não aconselha a andar na rua. E vejo-me a olhar para a rua e a tentar colocar no papel o quanto era bom antes mas também o quanto é muito bom agora. Se antes era bom, agora também o é, e a nós cabe-nos a bonita tarefa de viver com intensidade, inteligência, sabedoria, prazer e agradecidos nestes lugares que têm história mas nos quais nos é pedido que façamos história. Adoro viver em Oliveira de Azeméis e sorrir para desconhecidos a quem desejo “Bom Caminho” a Peregrinos de Santiago de Compostela - com quem temos o privilégio de nos cruzar todos os dias. Estamos juntos..
Ricardo Bastos, Organizador das ‘Corridas Solidárias’