26 Mar 2026
Ricardo Campelo de Magalhães*
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Fréderic Bastiat tem um pequeno livro muito interessante chamado “O que se vê e o que não se vê”. Neste livro chama a atenção que cada ação tem consequências visíveis e latentes. Este princípio de procurar as consequências menos óbvias é muito importante quer na política, quer na economia, e Oliveira de Azeméis tem vários episódios disso.
Por exemplo, no Facebook da Câmara Municipal no dia 13 de Março foi publicado que o “Território continua atrativo para investimento”. Ou seja, o facto de continuar a haver bravos empresários que conseguem investir no nosso concelho, apesar de todas as dificuldades, prova que Oliveira de Azeméis continua atrativo “quer para construção de habitação e respostas na área da saúde, quer para a instalação de novas unidades industriais ou expansão das indústrias existentes no município.”
Esses investimentos são os que se vêm. O que não se vê são os casos que se vão acumulando de empresas que se expandem para concelhos vizinhos. O que não se vê são os casos de empresas que simplesmente não se crescem ou não se expandem porque estão atrofiadas em zonas industriais com condições deploráveis. O que não se vê são as unidades de saúde que existem em concelhos de igual dimensão, ou até de menor, e que escasseiam em Oliveira de Azeméis. O que não se vê são as inúmeras obras que ficam por fazer depois de meses e anos de atraso por falta de deferimento da Câmara. Conheço pessoalmente diversos investimentos industriais e imobiliários que saíram de Oliveira por inação, e por vezes até oposição, do edil e do executivo.
Vemos de facto o resultado do esforço de alguns empresários corajosos, que saúdo e que louvo, pela riqueza que cria e pelos postos de trabalhos que criam. Mas não vemos tantos investimentos, tantos postos de trabalho, que por inação ou oposição não chegam a se concretizar ou se concretizam em Estarreja, em Vouzela, em São João da Madeira, em Santa Maria da Feira, ou até em Vale de Cambra.
O Correio de Azeméis tem uma rúbrica ADN Oliveirense, que entrevista empresários de visão que projetam o nosso concelho. Fica a minha sugestão que abra uma rúbrica de igual regularidade sobre a Emigração Oliveirense, sobre os empresários e investidores de ADN Oliveirense que saem do concelho por não conseguirem aqui concretizar os seus sonhos.
A Área de Acolhimento de Ul/Loureiro podia ser a maior da região Norte – por ser plana, pela ligação fácil a Leixões, pela sua extensão. Mas falta alguém de visão. E era bom termos entrevistas a quem tentou e não conseguiu para ajudar no diagnóstico. Quiçá, pode ser que se achem soluções e Oliveira de Azeméis se torne de facto no “Território atrativo para investimento”!
* IL