7 May 2026
Filipe Rodrigues*
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“A democracia não é um dado adquirido.”
Terminámos uma ronda de Assembleias de Freguesia e é lamentável constatar que, em alguns locais, eleitos e cidadãos continuam sem ser devidamente ouvidos ou esclarecidos.
Persiste, por vezes, a sensação de que quem ocupa o poder ou representa determinadas funções se posiciona como superior a tudo e todos, esquecendo que o exercício democrático exige proximidade, respeito e serviço público.
Há muito se questiona a reduzida participação popular nestas assembleias. Talvez parte da resposta esteja precisamente no espetáculo a que, em certos casos, se assiste:
perante preocupações legítimas da população, a resposta é frequentemente:
“Não é da nossa competência, têm de se dirigir à Câmara Municipal” ou “Contactem a entidade responsável.”
Mas então, para que são eleitos os Presidentes de Junta e os seus executivos?
Sendo estruturas de proximidade, o seu papel não deveria ser apenas encaminhar, mas sim apoiar, esclarecer, interceder e defender os interesses da população que representam.
Governar localmente não pode significar despachar problemas.
Exige presença, responsabilidade e compromisso.
Existe ainda muito trabalho a fazer por parte das forças políticas e dos seus representantes.
Não se pode viver permanentemente em campanha, prometendo proximidade, mudança e dedicação, para depois, no exercício do poder, esquecer esses princípios.
Da mesma forma, é igualmente importante que elementos externos compreendam o lugar que ocupam, respeitando os órgãos democraticamente eleitos e evitando substituir ou descredibilizar quem foi legitimado pelo voto popular.
“O melhor antídoto para a degradação da qualidade democrática é uma sociedade civil forte, informada e participativa, capaz de fiscalizar, equilibrar o poder político e garantir verdadeira representatividade para toda a população.”
* Presidente CDS PP Oliveira de Azeméis