23 Jul 2026
> Manuel Almeida (CHEGA)
Ao longo dos últimos anos, Oliveira de Azeméis habituou-se a assistir a apresentações públicas, comunicados e publicações nas redes sociais que anunciam investimentos e obras como sinais de progresso. Anunciam-se projetos, divulgam-se prazos, apresentam-se maquetas e lançam-se primeiras pedras. Mas uma obra não melhora a vida de ninguém quando é anunciada. Só a melhora quando fica concluída.
O Mercado Municipal é, talvez, o exemplo mais evidente desta realidade. A empreitada de remodelação do Mercado Municipal e construção da Estação Multimodal foi adjudicada por cerca de 3,7 milhões de euros, com um prazo de execução de 450 dias, apontando a sua conclusão para
meados de 2024. Hoje, dois anos depois da data inicialmente prevista, a obra continua por concluir. Entretanto, aquilo que deveria ser uma solução temporária transformou-se numa despesa permanente: os contratos públicos associados ao mercado provisório já ultrapassam os 530 mil euros. Estamos a falar de um valor equivalente a cerca de 14% do custo da própria empreitada, gasto apenas para manter uma estrutura provisória. Um investimento que não constrói um único metro quadrado, não melhora qualquer serviço e não deixa qualquer património ao concelho. É, simplesmente, o custo do atraso.
Também as obras nas escolas de Lações e da Alumieira seguiram um percurso semelhante.
Apresentadas como intervenções prioritárias para melhorar as condições de alunos, professores e restantes profissionais da comunidade educativa, acabaram igualmente marcadas por sucessivos adiamentos, alterações aos projetos e incerteza quanto aos prazos de conclusão.
Naturalmente, qualquer obra pública pode enfrentar imprevistos. Nenhum responsável sério o negará. Contudo, quando os atrasos deixam de ser exceção e passam a repetir-se em várias empreitadas, já não estamos perante um episódio isolado. Estamos perante uma forma de governar em que o anúncio chega muito antes da concretização.
Os oliveirenses não esperam campanhas permanentes de comunicação nem sucessivas promessas de que “agora é que vai ser”. Esperam rigor no planeamento, capacidade de execução, cumprimento dos prazos e respeito pelo dinheiro dos contribuintes.
O verdadeiro sucesso de uma obra não se mede pelo número de anúncios, mas sim pelo momento em que deixa de ser uma promessa e passa, finalmente, a melhorar a vida das pessoas.
* Presidente da Comissão Política Concelhia do CHEGA e vereador na Câmara Municipal