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Correio de Azeméis

4 Aug 2026

Pombo-correio é “como um atleta de alta competição”

Columbofilia

Alexandre Giro, presidente da Associação Columbófila de Aveiro, referiu que um pombo já foi vendido por cerca de 2 milhões de euros

Columbofilia> Rotinas, genética e preparação física

Um pombo-correio já foi vendido por dois milhões de euros no estrangeiro, um campeão olímpico atingiu os 120 mil euros em Portugal e, no distrito de Aveiro, há registo de negócios entre os 20 e os 30 mil euros. Por detrás destes valores estão a genética e os resultados desportivos, mas também meses de treino, rotinas rigorosas, alimentação controlada e cuidados que levam os columbófilos a comparar estes animais a atletas de alta competição.

 

A preparação de um pombo-correio para competir começa ainda quando o animal é jovem e exige rotinas diárias, cuidados com a alimentação e a saúde, treino físico e conhecimento das condições meteorológicas. À componente desportiva juntam-se ainda a genética e a capacidade de orientação, fatores que podem transformar determinados exemplares em animais muito valorizados.
Para Alexandre Giro, presidente da Associação Columbófila do Distrito de Aveiro, a relação entre o columbófilo e os pombos começa pela confiança. Os animais devem habituar-se à presença do tratador, aos horários e às rotinas do pombal. “Temos de ser um pouco veterinários, nutricionistas, treinadores e até fisioterapeutas. É um trabalho de método e de rotina”, explica.
A alimentação e o treino são realizados, idealmente, sempre nos mesmos horários. Dependendo do método adotado por cada praticante, os pombos podem treinar uma ou duas vezes por dia, voando durante cerca de uma hora nas imediações do pombal.

Das primeiras largadas às provas de fundo
Depois do treino em casa, começam as largadas a distâncias progressivas. Os animais são transportados em cestos e libertados inicialmente a 30, 40 ou 50 quilómetros do seu pombal. A distância aumenta à medida que a preparação avança e consoante as provas em que se pretende participar.
“É exatamente como um atleta de alta competição. Há uma rotina de treino, uma preparação física e um trabalho adaptado ao tipo de prova que o pombo vai realizar”, afirma.
Na columbofilia, as provas de velocidade podem chegar aos 300 quilómetros. As de meio fundo situam-se entre os 300 e os 500 quilómetros, enquanto as de fundo podem variar entre os 500 e os 700 quilómetros. Acima dessa distância surgem as chamadas maratonas.
A meteorologia é igualmente determinante. A associação avalia a visibilidade, as temperaturas, a nebulosidade e a possibilidade de formação de nevoeiro ao longo de todo o trajeto. As decisões sobre uma prova são tomadas, muitas vezes, nas 48 a 72 horas anteriores à solta.
“Quanto mais próximos estamos da prova, maior é a certeza das previsões. O nevoeiro é um dos fenómenos que mais dificuldades pode criar, porque obriga os pombos a desviarem-se ou a procurarem outras altitudes”, explica o dirigente.

Anilha eletrónica regista a chegada
Cada pombo de competição possui uma anilha identificativa. Atualmente, os sistemas eletrónicos permitem integrar um chip que regista automaticamente o momento em que o animal entra no pombal, indicando a hora, os minutos, os segundos e até as milésimas.
A classificação não é definida apenas pela ordem de chegada, uma vez que os pombais se encontram a distâncias diferentes do local da solta. O sistema calcula a velocidade média de cada pombo, tendo em conta o percurso e o tempo utilizado.
“O pombo que percorre a sua distância com a média mais elevada é o vencedor”, resume Alexandre Giro.

Genética pode fazer disparar o valor
Além da condição física e do treino, a genética tem um papel relevante na modalidade. Os columbófilos estudam cruzamentos e linhagens para tentar obter animais com melhores características de orientação, resistência e velocidade.
Os resultados alcançados em competições e o pedigree podem elevar substancialmente o valor de um pombo. Segundo Alexandre Giro, já foram registadas, a nível internacional, vendas na ordem dos dois milhões de euros, nomeadamente em mercados asiáticos. Em Portugal, o dirigente aponta como exemplo um pombo campeão olímpico vendido por 120 mil euros.
No distrito de Aveiro, acrescenta, também já terão sido transacionados animais por valores entre os 20 e os 30 mil euros, sobretudo para centros de criação e reprodução no estrangeiro.
“Um pombo que ganha provas nacionais ou se torna campeão passa a ter valor. Há compradores que procuram esses animais para reprodução, tendo em conta a genética e os resultados”, explica.
Apesar destas cifras, o dirigente sublinha que a maioria dos praticantes encara a columbofilia como um passatempo e não como uma atividade profissional. A alimentação, as instalações, os tratamentos e o tempo dedicado aos animais representam despesas que cada columbófilo deve ajustar às suas possibilidades.
“Cada pessoa deve praticar aquilo de que gosta, mas tem de gerir a atividade sem falhar nas outras responsabilidades”, conclui.
 

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