18 Mar 2026
A Indústria é celebrada em abril no TemA
> Projeto ‘Indústria’
O projeto “Indústria” coroa uma programação de primavera focada na democratização da cultura em Oliveira de Azeméis. O Teatro Municipal deixa de ser apenas um edifício para se tornar um espaço de criação participativa, onde as histórias dos operários e a herança secular do território sobem ao palco para envolver os cidadãos.
A estratégia cultural de Oliveira de Azeméis para este semestre assenta num pilar fundamental: a proximidade. O Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis (TeMA) desenhou um roteiro que retira as artes dos circuitos fechados e as entrega à população.
Este movimento de democratização ganha a sua expressão máxima com o projeto “Indústria”, uma criação artística comunitária da associação Mundo em Reboliço que escolheu o território oliveirense como laboratório vivo.
Durante semanas, a companhia mergulhou na realidade local, transformando o teatro num centro de pesquisa sobre a indústria secular do vidro, onde sons, memórias coletivas e testemunhos reais de antigos operários se fundiram para dar vida a uma obra que é, simultaneamente, um tributo e um manifesto contemporâneo.
A alquimia do vidro e da dança
O grande momento desta programação acontece a 19 de abril, com a estreia de “Indústria”. Mais do que uma simples coreografia, o espetáculo propõe uma abordagem sensorial à atividade vidreira que, durante cinco séculos, caraterizou o tecido social e económico da região.
A peça não se limita ao espaço convencional da sala de espetáculos; a experiência começa no exterior, com uma caminhada que parte de um local simbólico da cidade e segue em percurso até ao TeMA, integrando os cidadãos no próprio movimento artístico. Este evento conta com a participação direta de músicos locais e da Escola de Dança Meia Ponta, reforçando a ideia de que a cultura deve pertencer a quem nela se revê.
A coreógrafa Filipa Francisco descreve-o como um espetáculo que fala da transformação das matérias e das pessoas, criando uma experiência de proximidade que dialoga com a história de mestres como Alfredo Morgado.
Março: Entre grandes nomes e a prata da casa
Antes do culminar em abril, o TeMA apresenta um mês de março eclético, onde o teatro e a música de renome nacional se cruzam com a história local.
A programação arrancou com o brilho de Mateus Solano em "O Figurante", mas o ritmo intensifica-se já no próximo dia 21 de março, às 21h30, com o concerto comemorativo dos 45 anos dos Jáfumega. Este espetáculo terá um cariz marcadamente territorial, contando com a participação especial das trupes de Reis, numa fusão única entre o pop-rock histórico e as tradições de Azeméis.
Pouco depois, a 26 de março, o foco vira-se para a sétima arte e para a memória com a "Tertúlia e Retrospetiva" dedicada a Matos Barbosa. Esta sessão de entrada gratuita convida o público a mergulhar no percurso desta figura incontornável do cinema.
O mês encerra no dia 29 de março, às 16h30, com o espetáculo multidisciplinar "A Dança que o Mundo Não Vê", uma proposta dirigida às famílias que explora a dança como linguagem universal.
O mês de abril no TeMA é marcado por uma forte carga simbólica, onde a arte serve como ferramenta de cidadania. Além do espetáculo “Indústria” no dia 19, a agenda reserva espaço para as comemorações da Revolução de Abril, utilizando a música e o teatro para refletir sobre os valores da liberdade.
Luís Portugal, responsável pela programação, sublinha que este esforço de sensibilização é essencial para captar novos públicos e garantir que as diferentes manifestações artísticas são acessíveis a todos.
Os bilhetes para esta viagem pela identidade de Oliveira de Azeméis já se encontram disponíveis no TeMA, na plataforma Ticketline e no Atendimento ao Munícipe.