10 Jul 2026
O empresário valecambrense afirma que nunca trabalhou em prol do centro Cultura Português, no Brasil, pelas medalhas
> Comendador destaca-se na comunidade portuguesa em Santos
José Duarte Almeida Alves é hoje uma das figuras respeitadas da comunidade portuguesa em Santos, onde a sua ligação ao Centro Cultural Português marcou décadas de trabalho associativo. Na segunda parte da entrevista conduzida por Eduardo Costa na Azeméis TV, o comendador falou da casa que ajudou a projetar, das distinções recebidas e do desafio de chamar os jovens à cultura portuguesa.
Santos, cidade portuguesa
Eduardo Costa conduziu a conversa para a dimensão comunitária e lembrou a força dos portugueses e luso-descendentes em Santos, cidade onde a presença lusa marcou o comércio, a construção civil e a vida associativa. José Duarte foi mais direto: Santos tem fama de ser, “em termos proporcionais, a cidade mais portuguesa do Brasil”.
O Centro Cultural Português surgiu como o grande símbolo dessa ligação. Eduardo Costa, que conhece a realidade de várias visitas ao Brasil, não escondeu o entusiasmo ao falar do edifício e da história que ali se conserva.
Uma casa que impressiona
O diretor do Correio de Azeméis classificou o centro como uma referência neomanuelina singular fora de Portugal, e afirmou que quem o visita fica “verdadeiramente assombrado” com a qualidade da casa.
José Duarte falou dos salões, das pinturas e das peças que guardam a memória portuguesa em Santos. Entre elas está a cadeira feita para D. Carlos, preparada para uma visita que o rei nunca faria. Inaugurado em 1 de dezembro de 1895, o centro mantém-se como espaço de cultura, encontro e afirmação da identidade portuguesa.
Medalhas não foram o objetivo
A dedicação ao Centro Cultural Português valeu reconhecimento público e associativo ao comendador. Um dos salões passou a ter o seu nome, gesto que disse tê-lo surpreendido. Eduardo Costa foi ainda mais longe no elogio, afirmando que José Duarte deve ser “um dos portugueses mais medalhados do Brasil”.
O empresário relativizou as distinções. “O meu trabalho tem sido muito intenso lá no Centro Cultural Português. Mas nada disso se faz para ganhar medalhas”, afirmou.
“Preciso de mais jovens”
A continuidade é agora uma das preocupações. A vitalidade da instituição passa pelas festas, pela gastronomia portuguesa, pelo grupo folclórico Verde Gaio e pelo esforço de atrair novas gerações. Maria de Fátima explicou que a intenção é levar ao centro público diferenciado e mais jovem.
José Duarte assumiu o desafio sem rodeios: “Preciso de mais jovens.” A obra reconhecida, deixou claro, só terá futuro se filhos, netos e brasileiros interessados na cultura lusa continuarem a entrar naquela casa portuguesa de Santos.
“Eduardo é um verdadeiro embaixador do Centro Cultural Português”
No final da entrevista, José Duarte Almeida Alves devolveu a Eduardo Costa parte dos elogios recebidos ao longo da conversa. O comendador agradeceu a oportunidade de falar na Azeméis TV e no Correio de Azeméis, sublinhando a relação de amizade com o diretor. “Está sempre no Brasil. É um verdadeiro embaixador do Centro Cultural Português”, afirmou José Duarte, antes de deixar “um abraço fraterno” aos oliveirenses e aos valecambrenses.