92 anos a iluminar Loureiro: a visão de Manuel de Oliveira Castro

Opinião

Manuel Terra*

Opinião > Manuel Terra

Celebrar os 92 anos da Cooperativa Elétrica de Loureiro é, mais do que assinalar uma data, prestar homenagem a uma ideia de futuro que nasceu numa pequena comunidade, mas que teve impacto duradouro no desenvolvimento da freguesia. É também um momento oportuno para evocar o seu fundador e primeiro presidente, Manuel de Oliveira Castro, figura maior da história local.
Nascido em Loureiro a 14 de junho de 1887, Manuel de Oliveira Castro foi o sexto de sete filhos de Manuel Oliveira Castro e Maria de Oliveira. Desde cedo revelou um perfil empreendedor, típico de uma geração que, mesmo em contextos difíceis, soube criar oportunidades e riqueza a partir do trabalho e da iniciativa própria.
Negociante de profissão, acumulou essa atividade com a de industrial de curtumes, em sociedade com dois irmãos. O negócio consistia na aquisição e curtir das peles — sobretudo de gado bovino — que depois eram vendidas para a indústria do calçado e da marroquinaria, sectores que viriam a marcar profundamente a economia da região.
No Largo de Alumieira possuía um estabelecimento multifuncional: mercearia, casa de pasto, pensão, posto dos correios e local do telefone público. Era um verdadeiro centro de vida social e económica da freguesia. A famosa “Loja da Cândida”, assim conhecida em referência à sua esposa, Cândida de Jesus, ficou especialmente célebre pelo cabrito que ali se confecionava, atraindo comensais vindos de longe para provar a iguaria.
Mas foi a 26 de dezembro de 1933 que Manuel de Oliveira Castro deixou a marca mais profunda no futuro de Loureiro. Juntamente com outros nove Loureirenses, fundou a Cooperativa Elétrica de Loureiro, assumindo a presidência da nova instituição. Num tempo em que a eletricidade era ainda um privilégio distante para muitas zonas rurais, esta decisão revelou uma visão rara: perceber que a energia era condição essencial para o progresso, para a melhoria da qualidade de vida e para a modernização da economia local.
Hoje, 92 anos depois, a Cooperativa continua em funcionamento, resistindo às pressões dos grandes grupos económicos do sector energético. É uma das apenas nove cooperativas elétricas ainda existentes em Portugal — um verdadeiro exemplo de resiliência, autonomia e espírito comunitário.
A visão de Manuel de Oliveira Castro não se ficou pela energia. Entre 1946 e 1960 exerceu funções como presidente da Junta de Freguesia de Loureiro, período durante o qual desenvolveu uma intensa atividade autárquica, sempre orientada para a modernização das infraestruturas e para o bem-estar da população.
Dinâmico, visionário e empreendedor, Manuel de Oliveira Castro representa uma geração de líderes locais que, sem grandes meios, mas com enorme sentido de responsabilidade coletiva, ajudaram a construir os alicerces do Loureiro contemporâneo.
Faleceu a 30 de janeiro de 1963, com 75 anos. Quase um século depois da fundação da Cooperativa Elétrica, o seu legado continua bem vivo: em cada casa iluminada, em cada empresa que depende da energia, e sobretudo na memória de uma comunidade que soube acreditar em si própria. Celebrar estes 92 anos é, afinal, celebrar essa herança de visão, cooperação e futuro..
 * Colaborador

Partilhar nas redes sociais

Comente Aqui!









Últimas Notícias
"O Play-off começou da pior maneira"
11/05/2026
“A subida de divisão era um objetivo interno”
11/05/2026
Columbofilia
11/05/2026
Margarida Oliveira bate recorde pessoal
11/05/2026
Liliana Amorim conquistou o 1º lugar
11/05/2026
Padeirinhas conquistam o 2º lugar coletivo
11/05/2026
Competição e crescimento marcam o fim de semana
11/05/2026
EMBOAZ garante presença na final da Zona Norte
11/05/2026