6 May 2026
Entre silêncio e memória, jovens intérpretes deram voz a uma história marcante em “A Aldeia que Falava Baixinho”, no TeMA
> Em três sessões marcadas pela entrega coletiva
Produção da Fábrica das Artes levou ao TeMA três sessões marcadas pela intensidade, coordenação e forte envolvimento dos jovens intérpretes.
O espetáculo “A Aldeia que Falava Baixinho”, da Fábrica das Artes, subiu ao palco do TeMA – Teatro Municipal de Azeméis nos dias 2 e 3 de maio, em três sessões que evidenciaram a dimensão e exigência da produção.
Com direção de Ana Nunes, o espetáculo resultou de cerca de seis meses de trabalho intensivo, envolvendo alunos, professores e equipa técnica. Em palco, a narrativa decorreu com fluidez, mas nos bastidores o ritmo foi constante, marcado por rápidas trocas de figurino e sucessivas mudanças de cenário. “Há um verdadeiro rodopio que o público não imagina”, referiu Ana Nunes em entrevista à AzeméisTV momentos antes da subida ao palco.
A componente coletiva foi determinante para a concretização do projeto, com o envolvimento de famílias e colaboradores a reforçar a estrutura da produção. A articulação entre luz, som e cenografia contribuiu para a consistência das três apresentações.
Entre os protagonistas, João destacou o impacto da história, sublinhando que aborda “temas importantes da nossa história”, enquanto Bárbara reforçou a importância de transmitir essa mensagem ao público, ajudando a compreender o passado.
A narrativa inspira-se, em parte, no universo de "A Rapariga que Roubava Livros", trazendo para o palco referências à Segunda Guerra Mundial, onde o silêncio, o medo e a repressão marcam o quotidiano das personagens. A partir daí, a história evolui e aproxima-se do contexto português, evocando o período anterior à Revolução de 25 de Abril de 1974, estabelecendo um paralelo entre diferentes formas de opressão e resistência.
No centro da peça está uma “aldeia” simbólica — um espaço onde as pessoas vivem condicionadas, falam “baixinho” e escondem pensamentos e sentimentos. Esse silêncio representa tanto o medo imposto por regimes autoritários como a dificuldade de expressar ideias num ambiente de censura.
Apesar do nervosismo e das borboletas na barriga antes de cada sessão, a resposta em palco evidenciou entrega e maturidade, num espetáculo que confirmou a capacidade da Fábrica das Artes em desenvolver produções exigentes e de forte componente coletiva.