'A Chama' celebra 30.º Festival de Folclore e lança apelo à juventude

S. Roque

Isabel Costa e Lurdes Leite anseiam por renovação nos corpos dirigentes e também no coletivo de palco

São Roque> Atuações iniciam-se às 16h00

A Associação Recreativa e Cultural 'A Chama', sediada na freguesia de São Roque, prepara-se para levar a cabo a 30.ª edição do seu tradicional Festival de Folclore. O evento, que carrega mais de três décadas de história viva e preservação da identidade local, promete trazer cor, música e tradição ao concelho, embora a organização assuma que os tempos atuais exigem uma resiliência redobrada por parte dos seus dirigentes.

Descontentamento com horário
A presidente da associação, Isabel Costa, partilhou alguma apreensão relativamente à alteração do horário do festival, que pelo segundo ano consecutivo se realiza no sábado à tarde, a partir das 15h00, em vez da tradicional noite após a procissão. “Foi um pedido da Comissão de Festas ao qual acedemos, mas confesso algum desagrado. À noite tínhamos sempre mais público, as pessoas vinham da procissão e ficavam. O ano passado a afluência já não foi tanta, mas cá estamos para dignificar o nosso Rancho e manter vivas as tradições”, desabafou.
Para contornar o calor, a organização garantiu que o recinto deste ano, que regressa ao adro e parque de estacionamento contíguo à Igreja de São Roque, contará com zonas de sombra natural proporcionadas pelas árvores locais e cadeiras para os espetadores.

Três décadas de intercâmbio
O festival arranca às 15h00 com a receção oficial, seguindo-se o habitual desfile etnográfico às 15h30, com partida da antiga escola primária (atual sede da associação) em direção ao edificio da junta, culminando no palco principal. A abertura das atuações, agendada para as 16h00, caberá ao grupo anfitrião, o Rancho Folclórico 'A Chama'.
O cartaz deste 30.º Festival conta com a participação de três agrupamentos de renome no panorama do folclore nacional, que completam o sistema de permutas e intercâmbios da associação: o Rancho Folclórico do Centro Social e Cultural de Orgens (Viseu), o Rancho Folclórico da Freguesia de Serrazes (São Pedro do Sul) e o Grupo de Danças e Cantares de Santa Maria de Esmoriz.

Crise geracional
A perda de dinamismo e o progressivo afastamento das camadas mais jovens foi um dos temas mais vincados. Lurdes Leite, colaboradora e cantadeira ativa da organização, lamentou que a juventude local prefira outras modalidades extracurriculares ou desportivas, deixando o folclore numa situação de vulnerabilidade geracional. “Se começasse a haver mais iniciativas e pequenos grupos de folclore nos infantários e escolas primárias, as crianças ganhavam outro gosto”, sugeriu Lurdes Leite.
Num esforço para contrariar este cenário e renovar as estruturas do grupo, 'A Chama' lançou um apelo público de recrutamento: “Precisamos de tudo: jovens, músicos, cantadores ou dançarinos. Quem não souber, aprende. Venham dar uma oportunidade a esta tradição."
 

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