14 May 2026
Prof. Henrique Vieira*
No dia 15 de maio celebra-se o Dia Internacional da Família, proclamado pela ONU em 1993, pretendendo sensibilizar para os desafios que afetam as famílias e reconhecer o seu papel social. Num tempo de rápidas mudanças no trabalho, tecnologia e estilos de vida, a data convida a regressar ao essencial: a família como primeiro lugar de vínculo, cuidado e aprendizagem humana. Numa perspetiva educativa, é no ambiente familiar que começa a formação integral da pessoa, antes mesmo da escola: aprende-se o afeto, os limites, o sentido de pertença e a ideia de que o “eu” cresce em relação com o “nós”. Quando há segurança emocional e reconhecimento, a aprendizagem escolar torna-se mais estável; quando estas bases falham, a escola dificilmente compensa sem apoio.
A valorização de todas as configurações familiares e o combate ao estigma e à exclusão são, também, uma condição para a coesão social. Quando passamos da esfera familiar para a esfera pública, percebemos que a família é um verdadeiro “laboratório” de sociedade.
A educação familiar constrói carácter, atitudes e valores sobretudo pelo exemplo quotidiano. Respeito, responsabilidade, honestidade, solidariedade e justiça tornam-se reais nas pequenas práticas de convivência: escutar, dialogar, reparar erros, partilhar e cuidar dos mais frágeis. Afeto e limite são complementares: a amizade acolhe e a exigência orienta, ajudando a desenvolver o autocontrolo, a empatia e a liberdade responsável — essencial para a cidadania.
A família é também escola de comunicação o modo como se fala e resolve conflitos influencia as relações fora de casa. Importa reconhecer a pluralidade de configurações familiares, valorizando qualquer espaço estável de cuidado e responsabilidade. No plano das políticas públicas, apoiar famílias exige políticas concretas de parentalidade, horários compatíveis, creches, saúde, habitação e proteção social. Promover a família é garantir condições de vida. Sem devaneios, é preciso enfrentar desafios como a pobreza, a migração, a doença ou a violência, com respostas integradas entre escola, serviços e comunidade. A parceria escola–família, baseada em respeito mútuo, protege o percurso educativo.
Que o Dia Internacional da Família nos ajude, a cuidar melhor das relações que nos formam e a reconhecer que educar e humanizar não são tarefas isoladas, começam em casa, fortalecem-se na escola e concretizam-se numa sociedade que coloca as pessoas no centro.
*Presidente do Conselho de Direção da ESSNORTECVP