“A literatura é metade feita pelo autor e metade pelo leitor”

Concelho

Rui Couceiro esteve na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro para mais uma sessão “À Conversa Com…”, promovida pelo Rotary Club de Oliveira de Azeméis, numa conversa em torno do livro A Mais Bela Maldição.

> Rui Couceiro no Ciclo de Conversas do Rotary Club

Rui Couceiro foi o convidado de setembro do Ciclo de Conversas do Rotary Club de Oliveira de Azeméis, numa sessão dedicada aos livros, à escrita, à edição e às viagens.
Rui Couceiro foi o convidado de setembro do Ciclo de Conversas do Rotary Club de Oliveira de Azeméis, numa sessão em que os livros, a escrita, a edição e as viagens estiveram no centro da conversa na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro. 
A infância do escritor surgiu como uma das chaves para compreender a sua relação com a leitura. Filho de pais leitores e tendo crescido muito perto de uma biblioteca municipal, Rui Couceiro recordou que foi ali que, em grande medida, se fez leitor. “Eu sou também, em grande medida, um filho das bibliotecas públicas municipais”, afirmou.
Couceiro destacou ainda a importância de os pais lerem com os filhos, defendendo que esse acompanhamento pode ser determinante na formação de novos leitores.

A Mais Bela Maldição” e as viagens pelo mundo
O mais recente livro, A Mais Bela Maldição, serviu de ponto de partida para a conversa. A obra nasceu do desejo de conhecer pessoas com relações singulares com os livros.
“Eu decidi fazer este livro por uma razão profundamente egoísta. Eu queria fazer estas viagens”, confessou Rui Couceiro, que revelou ter feito “quase duas voltas à Terra” para recolher histórias e conhecer as personagens que viriam a integrar o livro.
Rui Couceiro explicou que A Mais Bela Maldição recupera também a sua formação jornalística. Os textos cruzam reportagem, crónica e técnicas da narrativa ficcional.
Sobre o papel da literatura, deixou uma das frases mais marcantes da noite: “A literatura é isso. Metade é feita pelo autor, a outra metade é feita pelo leitor.”
Defendeu ainda que “só faz sentido querer ser escritor se ser escritor significar iluminar o tempo em que vivemos”.

 

Contraponto e a renovação das biografias
A experiência como editor ocupou também uma parte importante da conversa. Rui Couceiro falou da criação da Contraponto e da aposta nas biografias, procurando aliar rigor de investigação e qualidade narrativa. Na sua perspetiva, uma biografia não deve limitar-se a uma sucessão cronológica de factos, mas deve ser capaz de contar uma vida como uma verdadeira história.
O atual mercado editorial mereceu também uma reflexão crítica. Rui Couceiro falou da forte concorrência e da rapidez com que os livros desaparecem das livrarias.
“Há uma forma de fazer diferente. É publicar menos, mas ter uma certeza extrema da qualidade daquilo que se publica”.

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