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Jorge Amorim nos estúdios da AzeméisTV
Presidente revela segredos da subida do Carregosense ao Campeonato Sabseg
A JD Carregosense está de regresso ao Campeonato Sabseg depois de ter estado, afastada do principal escalão de futebol de Aveiro. O feito desportivo vem coroar o primeiro ano do mandato de Jorge Amorim
A subida de divisão foi um objetivo desde o início da época ou quando é que perceberam que a subida estava ao alcance da equipa?
"Internamente é verdade que era um dos objetivos. Quando começámos com a construção do plantel fizemos a pensar nisso, mas não o transmitimos para o exterior. Ao longo da época foi criando sempre mais pressão interna. Aconteceram momentos de mais pressão durante a época, sobretudo na viragem da 1ª para a 2ª volta em que o Carregosense ficou a nove pontos do 2º lugar a 12 jornadas do final. É uma distância grande quando o nosso objetivo seria alcançar a subida de divisão. Tivemos que tomar algumas decisões e ter alguma calma para dar a volta à situação”.
O que mais contribuiu para este final de época feliz?
"Nós construímos uma equipa totalmente nova e inicialmente ela não se conseguia encontrar. Mas o importante eram os resultados. A equipa demorou algum tempo a encontrar-se. Só quatro ou cinco jogadores ficaram da época passada, contratámos elementos com experiência de subida de divisão. Quando ficámos a uma certa distância deu-se um clique e a equipa estabilizou e com vitórias ganhou outra motivação. (...) O campeonato é uma maratona e ganha-se no fim e acabámos por fazer uma 2ª volta fantástica. Fomos a equipa com mais pontos na 2ª volta e foi isto que nos deu a subida”.
Para a próxima época, o objetivo é a permanência ou ambicionam um pouco mais?
O nível do Sabseg está um bocadinho elevado. Há equipas que lutam pelos lugares cimeiros com orçamentos muito elevados. Nós temos os pés bem assentes na terra e queremos cumprir sempre até ao fim e sem dívidas. Vamos tentar fazer um orçamento que seja possível cumprir e tentar ter uma equipa para não sermos os coitadinhos. Para subir de divisão? Dificilmente será, mas para andar a lutar pelos seis lugares cimeiros. Ir para lutar pela permanência pode custar caro, vamos pensar um bocadinho mais e quem sabe se conseguimos ficar nos lugares cimeiros.
Treinador e plantel para a próxima época?
"O treinador, o Joca, vai continuar, tal como a restante equipa técnica. Já renovaram por mais um ano. Quanto ao plantel estamos a começar a tratar com os elementos que faziam parte da equipa deste ano, nem todos os jogadores vão ficar, há jogadores que podem não servir para o nível do Sabseg, mas vamos tentar construir uma equipa competitiva. A nossa ideia é manter o núcleo duro e compor o plantel com jogadores competitivos”.
Esta conquista acaba por ser um prémio para um clube que este ano está a celebrar 50 anos de vida...
Foi o meu primeiro ano como presidente. Além do plano desportivo, houve situações que fomos melhorando, criámos um posto médico novo, melhorámos a iluminação, renovação de balneários e rouparia, reorganizámos as camadas jovens para que o clube esteja mais organizado e possa ter sonhos mais elevados. Notámos que, domingo após domingo, os sócios foram acompanhando a equipa e quando os resultados aparecem os sócios aparecem e as receitas aumentam.
Em julho, completa o seu primeiro ano do mandato. Que balanço faz até agora?
Gostaríamos de ter sempre mais alguma coisa. Gostava de ver o campo Ernesto Gonçalves melhorado, com sintético, mas temos de dar um passo de cada vez. Temos apoios mas há um vasto leque de despesas que o clube tem e temos de gerir bem para cumprir. Uma das grandes ambições será essa e melhorar também a cobertura da bancada do campo, entre os dois campos nascer uma nova bancada e balneários. Estamos a dar os primeiros passos na questão dos licenciamentos das instalações desportivas e queremos ter um projeto mais ambicioso que, se não for concretizado, já fica a base pronta para quem vier a seguir dar seguimento.
E em termos de formação, como está o Carregosense?
No Carregosense acabou por haver alguma instabilidade, nunca houve uma sequência e por vezes há escalões que não têm jogadores. O ano passado, nos petizes, começámos com cinco e este ano temos 19 inscritos. Neste momento, se calhar temos uma das melhores bases a crescer ali. O escalão de sub-17 não existia o ano passado. Fez-se um grupo fantástico que está na luta pela subida.
Quanto melhores são os resultados, mais as pessoas olham para o clube. Se anda a lutar por lugares cimeiros, o clube torna-se mais apetecível. A nível de formação notámos algumas dificuldades se calhar derivado à nossa localização.
Há muita concorrência de clubes com oferta de formação?
Sim, existem muitos clubes. Há clubes de pequena dimensão que trabalham muito bem e têm muita formação. Já o vêm fazendo há vários anos e depois colhem os frutos e é isso que o Carregosense também quer fazer. Isto leva a sua sequência. Quem vier, se der continuidade, torna-se mais fácil. Quem vier a seguir, se pensar só no futebol sénior, as coisas voltam ao nível mais baixo.
Até final do mandato, qual acha que vai ser a sua maior dificuldade?
É o tempo que acabámos por perder a nível pessoal. Tem momentos em que dá vontade de atirar a toalha ao chão. Desde que assumi o Carregosense, acho que não falhei nenhum dia. Consigo estar lá diariamente porque tenho a minha esposa que me acompanha e o meu filho que joga lá. A formação dá trabalho, os seniores dão trabalho na fase inicial.