6 Jun 2026
Manuel Silva garantiu que seria “o melhor concerto do 37.20”. A Academia de Música de Oliveira de Azeméis levou ao Parque da Cidade uma produção com cerca de 125 participantes, entre alunos, professores e coralistas.
O maestro Manuel Silva vaticinou-o ainda antes da reta final do espetáculo e quem ficou até ao fim no Parque da Cidade saiu sem grandes argumentos para o contrariar. A Academia de Música de Oliveira de Azeméis abriu o palco principal do 37.20 com um espetáculo multimédia criado de raiz, juntando orquestra, coro, projeção visual e cerca de 125 participantes numa produção ambiciosa.
A criação visual de VJ Akira foi anunciada como reforço do cartaz e deu dimensão visual ao espetáculo, mas a Academia valeria por si só. Em palco estiveram cerca de 95 instrumentistas e 35 coralistas, entre alunos, professores e coro de pais, numa proposta construída a partir de arranjos originais preparados especificamente para esta noite.
“Todos os arranjos foram feitos propositadamente para este concerto”, explicou Manuel Silva antes do espetáculo, sendo a quase totalidade atribuída a Hugo Lopes. O maestro assumiu que a intenção passava por apresentar algo diferente daquilo que habitualmente é feito pela Academia: “É uma nova roupagem daquilo a que estão habituados, mas eles gostam de fazer novos concertos, novos espetáculos, novos desafios.”
O resultado foi um concerto que cruzou música de filmes, pop, house e imagem, num formato pensado para mostrar que os instrumentos de formação clássica também podem dialogar com linguagens mais atuais. “Queríamos sair da nossa zona de conforto”, disse Manuel Silva já em palco, agradecendo o esforço de alunos e professores para montar, “em tempo recorde”, um espetáculo “um bocadinho diferente”.
Antes do concerto, Ana de Jesus sublinhava a importância de o 37.20 arrancar com artistas de Oliveira de Azeméis. A responsável da Academia lembrou que os alunos chegaram a esta noite depois de duas semanas de ensaios intensos, numa altura particularmente exigente por coincidir com o final do ano letivo.
“Qualquer artista quer subir a um palco”, afirmou, elogiando o empenho dos jovens músicos na preparação do espetáculo. Para Ana de Jesus, o convite feito pela Câmara foi aceite de imediato: “A Câmara fez o convite à Academia e nós dissemos logo que sim, como é óbvio.”
A dirigente acredita, porém, que o desafio não termina quando as luzes se acendem. Há nomes que enchem praças por si só; outros, sobretudo locais, precisam de mais divulgação e de um trabalho continuado de aproximação ao público. “Podemos começar a trabalhar para as pessoas ficarem surpreendidas”, defendeu, apontando o desconhecimento como uma das razões que afasta público de alguns espetáculos.
“Se começámos por ter um público que era essencialmente as famílias, quero acreditar que esse público vai ampliar cada vez mais”, acrescentou. “À medida que as pessoas vêm e conhecem melhor a Academia, percebem que passam um bom momento e o concerto normalmente é sempre bom.”
No público estavam muitos pais, avós e familiares dos alunos, mas também espectadores habituais do 37.20 que decidiram assistir à abertura do festival. A noite fresca não ajudou no arranque, mas o recinto foi ganhando presença à medida que o concerto avançou.
António Fonseca foi ver o neto atuar e resumiu a expectativa de muitos familiares: “É bom que haja mais vezes, é bom para a cidade.” Joaquim Oliveira e Célia Martins acompanharam a filha, aluna da Academia desde os quatro anos, e viram no concerto uma oportunidade para mostrar o trabalho feito ao longo do ano. Mónica Vaz foi sobretudo por causa da filha, que quis ver amigos da Academia em palco, mas também por já conhecer e apreciar os espetáculos da instituição.
A dimensão da produção, o número de participantes e a combinação entre música e imagem acabaram por transformar o concerto num dos momentos fortes do arranque do 37.20. No final, a previsão de Manuel Silva já não parecia uma mera manifestação de entusiasmo, mas antes uma convicção com boas probabilidades de se concretizar.
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No meio dos agradecimentos e das apresentações, Manuel Silva aproveitou o palco para deixar uma mensagem que vai além do concerto. “Juntar esta gente toda, não temos muitas vezes espaço para isso”, afirmou o maestro, referindo-se à dimensão crescente dos projetos da Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
A instituição funciona atualmente nas instalações habituais, mas o responsável considera que a realidade dos últimos anos já ultrapassou a capacidade disponível. “A Academia está muito bem onde está, mas precisa de um espaço urgente para trabalhar. Isto é impossível. Nós não temos espaço na Academia para trabalhar esta gente toda”, afirmou.
Manuel Silva fez questão de sublinhar que a reivindicação não deve ser vista apenas como uma necessidade da instituição ou dos professores. “Não são os professores que pedem. São os jovens que estudam música”, disse, antes de resumir a ideia numa frase curta e arrancar uma ovação da plateia: “Estes jovens merecem.”
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O MELHOR CONCERTO “Não vai haver um concerto como este no 37.20. Este vai ser o melhor concerto do 37.20.” Manuel Silva, maestro da Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
VALORIZAR OS ARTISTAS LOCAIS “Há nomes que, por si só, fazem com que esta praça esteja cheia. Outros precisam de um esforço maior. Acho que muitas vezes é o desconhecimento que faz com que não vamos aos espetáculos e não vamos assistir a estas iniciativas dos artistas locais.” Ana de Jesus, Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
APOIAR E ESTAR PRESENTE “Ao fim acaba por ver-se o resultado do trabalho que eles vão fazendo. Com as limitações que a Academia vai tendo, eles vão conseguindo fazer estes espetáculos e mostrar o que de melhor fazem. Nós só temos que apoiar e estar presentes.” Joaquim Oliveira, pai de uma aluna.
FRIOZINHO NA BARRIGA “Ficamos sempre muito satisfeitos por os ver. Não só a nossa filha, mas todos. Mas há sempre aquele friozinho na barriga por a vermos participar e a fazer o melhor que sabe.” Célia Martins, mãe de uma aluna.
UM ESPETÁCULO DA TERRA “Não é a primeira vez que vejo espetáculos da Academia de Música e tenho gostado bastante. São pessoas daqui da terra e é um bom espetáculo.” Mónica Vaz, espectadora.
BOM PARA A CIDADE “É bom que haja mais vezes. É bom para a cidade e para chamar mais gente. É sempre uma novidade bonita ouvi-los atuar.” António Fonseca, avô de um participante.