28 Feb 2026
Ricardo Praça da Costa foi candidato nas eleições de outubro passado e foi à Assembleia Municipal na qualidade de munícipe
Plano Municipal de Ação Climática avisa para futuros “períodos prolongados de seca severa”
O Plano Municipal de Ação Climática antevê um agravamento substancial das temperaturas no concelho até 2100, com o esbatimento das estações do ano e períodos prolongados de seca severa. O retrato negro foi traçado pelo presidente da autarquia em resposta aos alertas de Ricardo Praça da Costa sobre a vulnerabilidade do território. Numa sessão de Assembleia Municipal marcada pelo rescaldo das intempéries, a oposição criticou a falta de operacionais e o Executivo contrapôs com a contratação de novos meios humanos e materiais.
O concelho de Oliveira de Azeméis vai aquecer substancialmente até ao final do século. A garantia foi dada pelo presidente da Câmara Municipal, que aproveitou a intervenção de Ricardo Praça da Costa sobre as alterações climáticas para desvendar as conclusões do Plano Municipal de Ação Climática, que se encontra "em análise interna para ser implementado".
Com base nos dados técnicos do documento, o autarca revelou um prognóstico preocupante para as próximas décadas: o território municipal vai sofrer um aumento gradual e substancial da temperatura, "que andará entre os 1,6 e os 4,1 graus centígrados até 2100". Este aquecimento global à escala local trará consigo um "esbatimento das estações" do ano.
"A precipitação no final deste século será praticamente inexistente no concelho nos períodos de primavera e de verão. Vamos ter cada vez fenómenos de seca extrema, mais prolongados, que entrarão cada vez mais pelo outono", detalhou o líder do Executivo, avisando que haverá muito menos ondas de frio e que as temperaturas mínimas, médias e máximas vão subir de forma exponencial. O autarca ressalvou, no entanto, que o plano não aponta para uma preocupação acrescida com ventos extremos.
A revelação destes dados surgiu em resposta direta a Ricardo Praça Costa. Inscrito no período do público, o cidadão que em 2024 foi cabeça de lista pelo Livre aos órgãos autárquicos dirigiu-se aos eleitos para alertar que a emergência climática "deixou de ser um conceito abstrato". "Estamos a começar a sentir os seus primeiros sinais", advertiu.
Assumindo-se como alguém que recusa ver o concelho "à deriva", o munícipe traçou um retrato de enorme vulnerabilidade, apontando a existência de "monoculturas extensas, uma malha urbana dispersa e infraestruturas críticas em áreas sensíveis". Ricardo Praça Costa avisou que a terra "fica nua" após a passagem do fogo, potenciando cheias rápidas, escorrência de cinzas e deslizamentos de terras.
Como medidas urgentes, o cidadão desafiou o município a reabilitar as linhas de água, garantir autonomia energética e comunicacional em locais críticos da proteção civil e a criar um programa de "kits básicos de emergência" para idosos e população desfavorecida isolada.
Rejeitando a inação, Joaquim Jorge garantiu que as respostas aos fenómenos extremos têm sido adequadas, anunciando ainda que, no âmbito da população sénior, o município vai implementar o programa "Geração 65 Mais Segura", promovendo sessões de sensibilização ao longo de 2026.
Durante a Assembleia, o impacto dos fogos de setembro de 2024 foi recordado com números pesados.
Ricardo Praça Costa frisou que o incêndio foi o quinto maior de Portugal, "consumindo mais de 6.170 hectares", o que resultou na perda de "25% da nossa mancha florestal".
O munícipe lembrou ainda o sacrifício do bombeiro João Silva, que perdeu a vida, e os prejuízos de 1,1 milhões de euros sofridos pela população. Na sua intervenção, o Presidente da Câmara confirmou a gravidade da situação, referindo a perda de "cerca de 2 mil hectares de floresta" devido a uma "conjugação anormal de fatores".