28 May 2026
Destaques Opinião Ana Isabel da Costa e Silva
Ana Isabel Silva*
Uma praça planeada numa cidade média terá de servir como “motor urbano”, ou seja, não ser apenas um espaço “bonito” onde se utilizam materiais de maior qualidade, mas um espaço usado e acarinhado por todos. Esta ideia significa que terá, naturalmente, de combinar várias camadas em simultâneo: promover o atravessamento pedonal natural, acolher a permanência de população de diferentes idades, estimular a relação direta entre comércio e habitação, acolher esplanadas, proporcionar sombra e garantir a escala humana.
Assim, o que faz uma praça “acontecer” não depende da dimensão nem da monumentalidade, mas da capacidade de gerar permanência, de criar encontros imprevistos e de conferir ritmo humano à cidade. Uma boa praça não é necessariamente a maior ou a mais bela; é aquela onde a cidade decide demorar-se e decide acolhê-la como parte dos espaços do dia-a-dia.
Em Oliveira de Azeméis, o Largo da República é um espaço que, apesar da escala relativamente pequena, funciona como verdadeiro espaço simbólico da cidade. Os Paços do Concelho, pela forma como foram implantados, afirmam a centralidade urbana desde o século XIX. Este edifício funcionou, ao lado da estrada EN1, como espaço de representação urbana. Assim, o Largo da República estabilizou a cidade, à cota alta, de onde ramificam ruas que ligam espaços importantes da cidade a uma cota mais baixa como por exemplo a praça Dr. José da Costa e, mais tarde, a Rotunda do Rainha, como habitualmente a designamos.
Mais do que uma Praça Maior, é urgente repensar o que já temos, como por exemplo o Largo da República. Note-se que este Largo é composto por edifícios que lhe conferem grande importância: a nordeste os Paços do Concelho, lateralmente, do lado poente, o jardim e a Casa Bento Carqueja, do lado nascente, a uma cota inferior, o Tribunal Judicial, da autoria do arquiteto Carlos Ramos e, mais à frente, a Casa dos Côrte-Real. No remate do largo, encontra-se o Hotel Dighton e o emblemático Restaurante Giratório.
Temos história. Temos espaços públicos que fazem sentido na estrutura urbana da cidade. Precisamos de lhes conferir dignidade para que possam ser aprazíveis e necessários para os Oliveirenses e para quem nos visita.
* Arquiteta e docente universitária