24 Apr 2026
O executivo de Manuel Albino confirmou que a localização da ETAR vai ser modificada
Manuel Albino, presidente da Junta confirma que localização inicial da Estação de Tratamento de Águas residuais caiu; AD propôs comissão de acompanhamento, mas maioria rejeitou.
A localização inicialmente prevista para a futura ETAR de Pindelo já não está em cima da mesa, mas o processo continua sem solução definida. A confirmação foi deixada pelo presidente da Junta, Manuel Albino, na última Assembleia de Freguesia, onde também foram levantadas críticas à recolha do lixo e à insuficiência de contentores em várias zonas da freguesia.
Durante o período antes da ordem do dia, Manuel Albino explicou que o Executivo tem acompanhado “no terreno” a definição de uma nova localização, “em articulação com as entidades competentes”, depois de várias reuniões com a Câmara Municipal e Águas do Norte. O autarca adiantou que “o local inicialmente previsto para a instalação da ETAR encontra-se sem efeito” e que estão agora em estudo alternativas “mais afastadas das zonas habitacionais”, comprometendo-se a Junta a informar a população assim que houver uma decisão definitiva.
A explicação não afastou as críticas da AD. Pela voz de Rui Monteiro, a bancada propôs a criação de uma comissão de acompanhamento do processo, envolvendo Executivo, Assembleia e população. “Temos ouvido falar muito sobre a ETAR, mas ainda hoje não sabemos onde é que vai ser localizada”, afirmou Rui Monteiro, insistindo na falta de informação concreta: “Quais são as alternativas? Sabe quais são? Nós também não.”
Para o eleito da AD, a comissão permitiria garantir um processo “mais claro e aberto à comunidade” e assegurar acompanhamento de um tema com impacto direto na freguesia.
Maioria rejeitou proposta
A proposta acabou por ser rejeitada pela maioria. Na resposta, Cláudio defendeu que o saneamento é uma competência municipal e que a criação de uma comissão local não teria efeito prático. A maioria considerou ainda que já existem mecanismos formais de acompanhamento, como estudos técnicos e processos de consulta, entendendo que a proposta poderia criar expectativas que não dependem da Junta nem da Assembleia.
A rejeição levou a AD a apresentar declaração de voto vencido. No texto lido em Assembleia, a bancada considerou que a não aprovação da proposta levantava “sérias reservas quanto ao compromisso com a transparência, com a boa governança e com o esforço institucional”. A oposição classificou a proposta como “equilibrada, representativa e orientada exclusivamente à defesa do interesse da população” e acusou a maioria de fazer uma “escolha política clara de recusa da transparência, de limitação do escrutínio público e de afastamento da população de um processo com impactos diretos na sua própria vida”.
A questão da ETAR tem vindo a preocupar a população há vários meses. Em setembro de 2025, circulou um abaixo-assinado a pedir uma localização alternativa, mais afastada das zonas habitacionais e dos passadiços, iniciativa em que esteve envolvida Carla Costa, que também interveio no período do público.
O tema da recolha do lixo acabou por dominar essa fase da Assembleia. Manuel Albino referiu que, segundo informação do Departamento do Ambiente, a recolha é feita às segundas, quartas e sextas nas ruas centrais e às terças, quintas e sábados nos restantes lugares, acrescentando que a lavagem dos contentores está prevista para maio, julho, setembro e novembro.
A informação foi contestada por José António, que reagiu de forma direta: “Não estou a chamar mentiroso ao senhor presidente. Mentiroso é quem disse isso. Quem informou, informou mal.” O morador garantiu que, na sua zona, o calendário não está a ser cumprido: “A semana passada apareceu uma vez… esta semana, hoje já é quinta-feira, só vieram segunda-feira.” E descreveu o impacto no terreno: “Até aqui mantinha-se limpo, agora não se mantém… o lixo vai para todos os lados.”
A questão dos caixotes foi reforçada por Sandra Almeida, que apontou falta de contentores e criticou justificações anteriores da Junta. “Os caixotes de lixo são insuficientes”, afirmou, dizendo que, desde 2017, pede um caixote de lixo. Segundo a moradora, foi-lhe dito que não passavam carros grandes no local, argumento que contestou: “É perfeitamente mentira, porque fizeram o alcatroamento e passaram lá os camiões com o alcatrão.” Sandra Almeida referiu ainda que os contentores no cruzamento entre a Rua da Ponte, Rua das Poias e Rua do Outeiro “estão sempre cheios” e “servem imensas casas”.
Logo a seguir, Carla Costa voltou ao tema da recolha, apontando alterações de horário sem informação aos moradores. “A recolha era feita à uma da tarde e passou para às cinco da manhã”, disse, explicando que, como as pessoas não foram avisadas, continuam a colocar o lixo nos horários antigos. Resultado: “O contentor está novamente cheio porque as pessoas não estão informadas.”
Carla Costa falou ainda dos abrigos de passageiros, pedindo que sejam mantidos os modelos antigos. “Os velhinhos deviam ficar”, defendeu. O tema já tinha sido referido pelo presidente da Junta, que indicou terem sido pedidos abrigos para quatro paragens e que seriam colocadas laterais no abrigo junto ao ATL.