28 Feb 2026
Nuno Pires, eleito da AD, denunciou as 'obras de Santa Engrácia'
Confronto direto de narrativas entre as forças da oposição e o Executivo: na sessão do deliberativo de 27 de fevereiro, parte do debate centrou-se na degradação das infraestruturas, no ritmo das empreitadas e na eficácia da proteção civil, desenhando-se um cenário de tensão política em torno da gestão do território.
Na ultima reunião da Assembleia Municipal o deputado Nuno Pires abriu uma das frentes mais críticas no período de antes da ordem do dia: o eleito da AD (PSD/CDS) começou classificando o investimento municipal em mobilidade elétrica como estando "a meio gás", uma vez que grande parte dos 11 postos de carregamento instalados em 2022 nunca chegou a funcionar.
As denúncias estenderam-se ao estado de conservação dos edifícios municipais, com o deputado a relatar situações graves como infiltrações de chuva no interior da Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, onde o ar condicionado se encontra avariado, e no Pavilhão Municipal, onde o piso levantado já terá provocado o adiamento de jogos.
Nuno Pires descreveu ainda um cenário de abandono em infraestruturas como o Business Center e o antigo Centro de Saúde, onde a presença de baldes para recolher água nas janelas é recorrente.
Em resposta, o Presidente da Câmara esclareceu que as falhas nos postos elétricos se devem ao incumprimento da empresa concessionária, que está a ser penalizada, e justificou os problemas no edificado com a necessidade de manutenção acumulada ao longo de décadas.
O setor social foi abordado por Vasco Alves (PS), que questionou o calendário para a requalificação das escolas EB 2/3 de Loureiro e Pinheiro da Bemposta, alertando para o impacto das recentes intempéries na qualidade de vida dos alunos. Na área da saúde, o deputado destacou a urgência de intervenções nos centros de saúde de Oliveira de Azeméis e Cucujães, gravemente atingidos por infiltrações. O Executivo garantiu que a candidatura para a escola de Pinheiro da Bemposta será submetida até março e a de Loureiro até junho, mantendo-se os esforços para incluir a escola de Carregosa nos planos de financiamento. Relativamente à saúde, foi anunciado um plano de intervenção de 3,6 milhões de euros para sete unidades de saúde, estando já adjudicada a construção do novo centro em Pinheiro da Bemposta.
Um dos momentos mais acesos do debate surgiu quando Nuno Pires comparou as empreitadas municipais a "obras de Santa Engrácia", referindo-se aos atrasos sistemáticos em projetos como o Mercado Municipal e o Parque da Cidade, que se tornaram estaleiros permanentes. O deputado apelou a uma gestão focada em resultados e não apenas em anúncios, criticando a incapacidade da Câmara em fazer cumprir os prazos estabelecidos. O Presidente da Câmara refutou a crítica, afirmando que o atual Executivo realizou mais investimentos nos últimos oito anos do que nos trinta anteriores, revelando que os atrasos no Mercado Municipal — atualmente com 68% de execução e prazo final em julho de 2026 — se devem em grande parte a constrangimentos provocados por um empreiteiro específico que detém várias obras paradas no concelho.
Filipe Rodrigues centrou a sua intervenção na fragilidade da Proteção Civil Municipal, argumentando que a dedicação dos operacionais não consegue substituir a falta de uma estrutura profissionalizada e permanente. O deputado descreveu o coordenador municipal como uma "central telefónica ambulante" que, em situações críticas, tem de acumular a gestão de ocorrências com a operação direta de máquinas no terreno. Para responder a estas lacunas, o Executivo anunciou a contratação de cinco novos recursos humanos em 2026 e um investimento de 600 mil euros na aquisição de viaturas e equipamentos de grande capacidade, como motobombas, visando a constituição de unidades locais de proteção civil mais resilientes.
A sessão encerrou com as críticas de Marcos Sousa (Chega) relativas à falta de abrigos nas paragens de autocarro em freguesias como Fajões e Loureiro, o que deixa crianças e idosos expostos à chuva por tempo indeterminado. O deputado denunciou também o estado "calamitoso" das estradas que dão acesso às zonas industriais, sublinhando o prejuízo para as empresas locais. O Presidente da Câmara assegurou que o levantamento das necessidades está concluído e que 80 novos abrigos estão em fase de instalação, admitindo a necessidade de recuperar o "passivo" na rede viária através de um investimento previsto de três milhões de euros.