Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis: Oposição acusa 'obras da santa Engrácia, Câmara defende investimento histórico'

Concelho

Nuno Pires, eleito da AD, denunciou as 'obras de Santa Engrácia'

Confronto direto de narrativas entre as forças da oposição e o Executivo: na sessão do deliberativo de 27 de fevereiro, parte do debate centrou-se na degradação das infraestruturas, no ritmo das empreitadas e na eficácia da proteção civil, desenhando-se um cenário de tensão política em torno da gestão do território.

Na ultima reunião da Assembleia Municipal o deputado Nuno Pires abriu uma das frentes mais críticas no período de antes da ordem do dia: o eleito da AD (PSD/CDS) começou classificando o investimento municipal em mobilidade elétrica como estando "a meio gás", uma vez que grande parte dos 11 postos de carregamento instalados em 2022 nunca chegou a funcionar. 

As denúncias estenderam-se ao estado de conservação dos edifícios municipais, com o deputado a relatar situações graves como infiltrações de chuva no interior da Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, onde o ar condicionado se encontra avariado, e no Pavilhão Municipal, onde o piso levantado já terá provocado o adiamento de jogos. 

Nuno Pires descreveu ainda um cenário de abandono em infraestruturas como o Business Center e o antigo Centro de Saúde, onde a presença de baldes para recolher água nas janelas é recorrente. 

Em resposta, o Presidente da Câmara esclareceu que as falhas nos postos elétricos se devem ao incumprimento da empresa concessionária, que está a ser penalizada, e justificou os problemas no edificado com a necessidade de manutenção acumulada ao longo de décadas.

​Educação e Saúde: O Plano de Requalificação em Curso

​O setor social foi abordado por Vasco Alves (PS), que questionou o calendário para a requalificação das escolas EB 2/3 de Loureiro e Pinheiro da Bemposta, alertando para o impacto das recentes intempéries na qualidade de vida dos alunos. Na área da saúde, o deputado destacou a urgência de intervenções nos centros de saúde de Oliveira de Azeméis e Cucujães, gravemente atingidos por infiltrações. O Executivo garantiu que a candidatura para a escola de Pinheiro da Bemposta será submetida até março e a de Loureiro até junho, mantendo-se os esforços para incluir a escola de Carregosa nos planos de financiamento. Relativamente à saúde, foi anunciado um plano de intervenção de 3,6 milhões de euros para sete unidades de saúde, estando já adjudicada a construção do novo centro em Pinheiro da Bemposta.

​Obras de Santa Engrácia vs. Investimento Histórico

​Um dos momentos mais acesos do debate surgiu quando Nuno Pires comparou as empreitadas municipais a "obras de Santa Engrácia", referindo-se aos atrasos sistemáticos em projetos como o Mercado Municipal e o Parque da Cidade, que se tornaram estaleiros permanentes. O deputado apelou a uma gestão focada em resultados e não apenas em anúncios, criticando a incapacidade da Câmara em fazer cumprir os prazos estabelecidos. O Presidente da Câmara refutou a crítica, afirmando que o atual Executivo realizou mais investimentos nos últimos oito anos do que nos trinta anteriores, revelando que os atrasos no Mercado Municipal — atualmente com 68% de execução e prazo final em julho de 2026 — se devem em grande parte a constrangimentos provocados por um empreiteiro específico que detém várias obras paradas no concelho.

​Proteção Civil: Vontade vs. Estrutura

​Filipe Rodrigues centrou a sua intervenção na fragilidade da Proteção Civil Municipal, argumentando que a dedicação dos operacionais não consegue substituir a falta de uma estrutura profissionalizada e permanente. O deputado descreveu o coordenador municipal como uma "central telefónica ambulante" que, em situações críticas, tem de acumular a gestão de ocorrências com a operação direta de máquinas no terreno. Para responder a estas lacunas, o Executivo anunciou a contratação de cinco novos recursos humanos em 2026 e um investimento de 600 mil euros na aquisição de viaturas e equipamentos de grande capacidade, como motobombas, visando a constituição de unidades locais de proteção civil mais resilientes.

​Dignidade nos Transportes e Vias Industriais

​A sessão encerrou com as críticas de Marcos Sousa (Chega) relativas à falta de abrigos nas paragens de autocarro em freguesias como Fajões e Loureiro, o que deixa crianças e idosos expostos à chuva por tempo indeterminado. O deputado denunciou também o estado "calamitoso" das estradas que dão acesso às zonas industriais, sublinhando o prejuízo para as empresas locais. O Presidente da Câmara assegurou que o levantamento das necessidades está concluído e que 80 novos abrigos estão em fase de instalação, admitindo a necessidade de recuperar o "passivo" na rede viária através de um investimento previsto de três milhões de euros.

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