27 May 2026
Carlos Castro e Cristiana Oliveira fizeram o balanço dos 25 anos do Centro de Estudos Ferreira de Castro
Centro de estudos Ferreira de Castro
O Centro de Estudos Ferreira de Castro viu os 25 anos chegarem com reconhecimento municipal, mas o balanço feito por Carlos Castro, presidente da associação, veio também um aviso: para continuar a pôr novas gerações a ler Ferreira de Castro, são precisos meios, técnicos especializados e projetos com continuidade
A associação foi formalizada a 19 de março de 2001, mas a história começou antes, no final dos anos 90, quando Carlos Castro preparava uma exposição fotográfica sobre Ferreira de Castro para as comemorações do centenário do nascimento do escritor. A proposta acabou por ser recusada pela comissão organizadora, mas abriu outro caminho.
Com apoio do Grupo Cultural e de especialistas que foi conhecendo pelo país, a exposição circulou por vários locais e mostrou-lhe que faltava uma associação capaz de juntar investigadores, leitores e interessados na obra castreana. “E assim nasceu o Centro de Estudos”, recordou.
O trabalho foi recentemente distinguido com a Medalha de Mérito Municipal, grau bronze. Carlos Castro valoriza o reconhecimento, mas considera que o essencial seria criar protocolos e projetos sustentáveis, envolvendo autarquia, escolas e comunidade. Para o presidente, “não basta dizer que se gosta de Ferreira de Castro”: é preciso lê-lo.
Da caminhada à investigação
Cristiana Oliveira, secretária da direção, é exemplo de como a obra de Ferreira de Castro ainda pode conquistar novos leitores. Chegou ao autor quase por acaso, primeiro através de uma visita à Casa-Museu e depois pelo roteiro Caminhos de Ferreira de Castro. A caminhada por Ossela marcou-a de tal forma que viria a mudar o tema do doutoramento, deixando Almada Negreiros para estudar Ferreira de Castro.
Cristiana destacou a importância das publicações do Centro, da revista científica Castriana, das teses editadas em livro, da coleção de ensaios e das edições autónomas de textos do escritor. Para a investigadora, a ligação às universidades é essencial, mas não deve fechar o conhecimento em círculos académicos: Ferreira de Castro “deu a volta ao mundo” e deve continuar ligado à comunidade.
Rigor e participação popular
O futuro preocupa a direção. Carlos Castro considera que manter o Centro de Estudos nos moldes atuais será difícil sem profissionalização de alguns serviços. A associação trabalha com dirigentes e colaboradores não remunerados, mas lida com investigação, espólio, publicações, organização de encontros e pedidos de académicos e jornalistas.
O presidente defende ainda uma articulação entre a Biblioteca de Ossela, a Casa-Museu, o roteiro literário, o futuro Centro Interpretativo e o próprio Centro de Estudos. O objetivo, resume, mantém-se fiel ao escritor: pôr todas as faixas etárias e sociais a ler Ferreira de Castro.