12 Mar 2026
Jorge Melo Pereira*
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Na sequência do “Comboio de Tempestades”, a seguir à Krinstin, veio também a Marta. Mais uma depressão com previsões de impactos destruidores, esperando-se ventos acima dos 140 km/hora, que traria impactos na zona da sua entrada, e uma vez mais, tudo apontava, que pudesse entrar na nossa região de Oliveira de Azeméis, o que não aconteceu.
Esta depressão deslocou-se para Sul, à semelhança da Kristin.
Posto isto, e tendo-se verificado os impactos devastadores da depressão Kristin, assim batizada, mas com caraterísticas de furacão, faria todo o sentido que o Serviço Municipal de Proteção Civil, de forma a acautelar, e depois de lição aprendida, pois uma das suas funções é precisamente prevenir para proteger a sua população, nada fez nesse sentido, ao contrário dos serviços de proteção civil em redor do nosso município, em que uns ativaram o Plano Municipal de Emergência e outros declararam o estado de alerta a nível do município.
Ora, se o País estava com aviso vermelho do IPMA, encontrava-se com o Plano Nacional de Emergência da Proteção Civil ativado, com nível de prontidão de resposta a nível nacional na sua capacidade máxima (nível IV do DIOPS), e com previsões de que a Depressão fosse atingir com severidade o nosso município, este uma vez mais “jogou na Fé” e de facto, nada ocorreu de extraordinário.
Mas… e se tivesse ocorrido?
Perante as previsões, o que deveria ter acontecido, no mínimo seria declarar o estado de alerta! E o que é o estado de alerta e para que serve?
Situação de Alerta (Municipal): É declarada preventivamente pelo Presidente da Câmara Municipal quando há um risco iminente ou uma situação de perigo previsível (ex: aviso meteorológico laranja/vermelho), permitindo aumentar o estado de prontidão das equipas. Esta situação obriga os cidadãos e entidades a colaborar com as autoridades, sendo a recusa considerada crime de desobediência.
Em resumo:
Preparados ou Impreparados?
Saberemos responder enquanto comunidade perante situações extremas?
Ainda temos muito trabalho pela frente. Em primeiro precisamos de ter políticos que precisam de afinar a sua sensibilidade para o planeamento e prevenção, apostar no antes e não apenas no depois, precisamos de trabalhar a sensibilização da população, educar a nossa sociedade preparando-a para a perceção do risco, para uma cultura de proteção e segurança e preparar a resposta a estas novas realidades mais frequentes, nos dias de hoje. Tudo isto, chama-se atualmente de resiliência. Até agora, olhava-se para a Proteção Civil, como aquela que tratava da gestão no combate aos incêndios, mas agora, olhar para a Proteção Civil em Portugal, implica encará-la não apenas como um conjunto de forças de socorro (como bombeiros), mas sim como um sistema estruturado de prevenção e segurança que envolve o Estado, autarquias, agentes privados e os próprios cidadãos. A sua missão principal é prevenir riscos coletivos (incêndios, inundações, sismos) e proteger pessoas e bens em caso de catástrofe. Haja vontade e coragem política e podem ter a certeza, num futuro próximo vai dar votos para a eleição dos seus responsáveis.
* Colaborador