CERCIAZ: uma resposta de inclusão feita com poucos meios e muita proximidade

Concelho

Paula Nogueira, diretora-geral da CERCIAZ, guiou a visita de D. Roberto Mariz às instalações

> Visita pastoral passou por instituição de referência na área da deficiência

Na visita à CERCIAZ, D. Roberto Mariz encontrou uma instituição pressionada pela falta de financiamento, pela dificuldade em reforçar respostas e pela crescente chegada de casos complexos, mas também uma casa onde o trabalho diário continua a transformar cuidado, educação e ocupação em inclusão real.
Um projeto residencial aprovado acabou por cair porque o financiamento não chegava para pagar a obra. E, com ele, ficou exposta uma fragilidade maior: “Aveiro está completamente descoberto na área da deficiência”. Foi nesse cenário que D. Roberto Mariz entrou na visita à CERCIAZ, confrontado logo à chegada com o retrato de uma instituição que procura responder a necessidades urgentes, mas esbarra em limites financeiros e administrativos difíceis de ultrapassar. Segundo foi explicado ao bispo auxiliar do Porto, a resposta residencial chegou a estar aprovada pela Segurança Social, mas a subida dos custos tornou o projeto incomportável.
A visita mostrou, assim, uma casa obrigada a crescer por etapas, a rever orçamentos e a adaptar-se sem nunca perder de vista a missão. D. Roberto Mariz, que revelou conhecer bem o universo das instituições sociais, sublinhou mesmo que muitas vezes estas estruturas são olhadas apenas quando surge um problema, quando na verdade passam os dias a tentar cumprir regras, responder a exigências e fazer muito com poucos meios.

Educação especial e resposta para os casos mais difíceis
Um dos momentos mais fortes da visita surgiu quando a conversa passou para a resposta educativa. A instituição explicou que já tem sala, auxiliar e cinco alunos encaminhados para abrir uma nova resposta de ensino especial, mas continua sem conseguir encontrar professora. Pelo meio, foi descrita a realidade de crianças e jovens com comportamentos muito difíceis, muitas vezes rejeitados por respostas mais convencionais, e que ali encontram acompanhamento de proximidade. 
Paula Nogueira, direrota-geral da CERCIAZ, contou ao bispo que, em momentos de agressividade, procura responder com contenção sem violência e até com palavras de afeto: “eu amo-te”, disse ter repetido a um jovem em crise, explicando que essa lógica de relação ajuda a desarmar reações e a construir confiança.

Trabalho, utilidade e pertença
Outro dos eixos centrais da visita foi a integração pelo trabalho. Ao percorrer as salas, o bispo viu de perto a forma como a instituição organiza tarefas adaptadas em parceria com fábricas da região, desde a montagem de molas até à embalagem de pequenos materiais. O objetivo, segundo foi explicado, é simples: distribuir tarefas conforme as capacidades de cada um e permitir que todos sintam que conseguem fazer alguma coisa útil. “Eles querem é trabalhar”, resumiu Paula Nogueira.
Também houve referências ao desporto adaptado, a percursos de sucesso em competição e a uma rede de apoio feita de empresas, grupos locais e pequenos donativos que ajudam a manter a atividade. No conjunto, D. Roberto Mariz encontrou uma instituição com problemas reais, mas também com uma capacidade visível de transformar rotina em dignidade, limitação em resposta e cuidado em inclusão.

 

Nova resposta por abrir

 A CERCIAZ tem neste momento uma nova sala pronta para abrir na área do ensino especial, com alunos e auxiliar, mas sem professora disponível. Pelo meio, a casa continua a reforçar respostas ocupacionais, educativas e terapêuticas para crianças e jovens com necessidades complexas.

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