3 Jun 2026
Destaques Futebol Clube Cesarense Desporto
O Mundialito Cesaz chega à 10.ª edição com 32 clubes, 69 equipas, sete escalões, 191 jogos e mais de 1400 pessoas envolvidas, mas também com avisos sobre o futuro. A apresentação oficial do torneio, realizada na Casa da Leitura, em Cesar, confirmou a dimensão da prova e expôs as dificuldades de manter um evento que exige cada vez mais dinheiro, voluntários e articulação de calendário.
A edição de 2026 realiza-se nos dias 13, 14, 20 e 21 de junho. A opção por dois fins de semana é uma aposta da direção do FC Cesarense, que procura adaptar o torneio à escala que atingiu.
Renato Castro, que abriu a sessão, deixou o alerta mais claro: “A crescente oferta de torneios no mês de junho está a tornar-se insustentável para a sobrevivência do Mundialito.” O responsável defendeu que a prova deve ser redimensionada à realidade atual do clube, perante a dificuldade crescente em garantir equipas, recursos humanos e condições para uma organização desta dimensão.
Luís Pinho, presidente da Direção do FC Cesarense, reforçou a preocupação. “É muito difícil fazer o Mundialito”, afirmou, explicando que a organização envolve custos elevados e depende de patrocinadores, Câmara, Junta e muito trabalho interno.
O dirigente admitiu que a angariação de apoios está mais difícil. “As empresas estão a passar algumas dificuldades e isso torna-se muito difícil para mim e para a nossa direção”, disse. A preparação do torneio passa pela montagem de tendas, campos, balizas, redes, marcações e zonas de apoio, trabalho que continua a ser feito em grande parte por dirigentes e voluntários.
A sobreposição de eventos no concelho também entrou na discussão. Luís Pinho admitiu que a realização em dois fins de semana é uma experiência e que poderá obrigar o clube a reavaliar o modelo.
Hélder Simões, vereador do Desporto da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, reconheceu que o Mundialito Cesaz é já “uma referência no panorama regional”, mas avisou que os clubes têm de coordenar melhor as datas para evitar prejuízos mútuos.
A sessão teve também uma forte componente de reconhecimento. Manuel Francisco e Justino Marques foram apresentados como padrinhos da edição de 2026, numa homenagem ao trabalho desenvolvido durante mais de 20 anos na formação do FC Cesarense.
Manuel Francisco explicou que aceitou o convite por sentir que ele e Justino representavam todos os que, ao longo dos anos, deram algo ao clube. Justino Marques recordou o início como treinador dos juniores em 1983, no antigo Campo do Murgulhão, e o regresso recente ao trabalho com crianças de oito anos.
Pedro Rodrigues, antigo presidente do FC Cesarense, também foi lembrado como figura central da história do torneio. Sérgio Tavares, presidente da Mesa da Assembleia Geral, destacou que foi ele quem acreditou que o clube podia organizar uma prova com esta dimensão.
A apresentação terminou com agradecimentos a patrocinadores, entidades públicas, voluntários e famílias, mas também com um apelo à participação. O Mundialito Cesaz mantém escala de grande torneio de formação, mas a 10.ª edição deixou claro que o futuro depende de mais coordenação, mais meios e mais gente.
Hélder Simões aproveitou a apresentação do Mundialito Cesaz para deixar um alerta sobre a multiplicação de torneios no concelho. O vereador do Desporto defendeu que os clubes devem coordenar calendários para evitar sobreposições que retirem equipas, público e capacidade logística às próprias iniciativas.
“Temos de procurar articular datas para não nos estarmos a canibalizar e a prejudicar todos um pouco”, afirmou. O autarca lembrou que a concentração de eventos nos mesmos fins de semana torna mais difícil garantir apoios, presenças e participação dos clubes.
10.ª edição
32 clubes
69 equipas
sete escalões
191 jogos
mais de 1400 pessoas envolvidas
13, 14, 20 e 21 de junho
Manuel Francisco e Justino Marques são os padrinhos do Mundialito Cesaz 2026. A escolha foi apresentada como homenagem a dois antigos treinadores com mais de 20 anos de ligação à formação do FC Cesarense. A organização destacou o papel de ambos na formação de várias gerações de atletas e na transmissão de valores como respeito, disciplina e espírito de equipa.
FORMAÇÃO É MAIS DO QUE COMPETIÇÃO “O futebol na formação ensina-nos a trabalhar em equipa, a respeitar adversários, a lidar com vitórias e derrotas e, acima de tudo, a crescer enquanto seres humanos.” Francisco Murcela, coordenador da Formação do FC Cesarense
GRATIDÃO TAMBÉM FAZ CLUBE “Quando o clube olha para dentro, consegue perceber o que tem e avançar com isso.” Manuel Francisco, padrinho do Mundialito Cesaz 2026
O CESARENSE TROUXE-ME DE VOLTA “Tive de deixar o futebol por motivos de saúde, mas o Renato convenceu-me a voltar para treinar os miúdos de oito anos. Não sabia como ia correr, mas está a correr tudo bem.” Justino Marques, padrinho do Mundialito Cesaz 2026
PEDRO RODRIGUES DEIXOU BASES “Teve coragem de acreditar que o Futebol Clube Cesarense podia organizar um torneio desta dimensão e desta qualidade.” Sérgio Tavares, presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Cesarense
O FUTURO EXIGE NOVA ESTRATÉGIA “Esta edição terá de levar o clube a reinventar a sua estratégia futura, para que o Mundialito continue vivo.” Renato Castro, organização do Mundialito Cesaz
A GRATIDÃO UNE A COMUNIDADE “Parece que se vai instaurando na Vila de Cesar uma cultura de gratidão, e isso é importante. Reconhecer quem faz algo pela terra é fundamental, porque é isso que nos une enquanto valores, estrutura e cidadãos.” Carlos Costa Gomes, presidente da Assembleia de Freguesia de Cesar
O MUNDIALITO EXIGE CADA VEZ MAIS “É muito difícil fazer o Mundialito. Há muito dinheiro envolvido e cada vez tenho mais dificuldades em arranjar patrocínios. Fizemos um plano de dois fins de semana. Não sei se vai correr bem ou mal, mas estamos a fazer estratégias para perceber se este modelo resulta.” Luís Pinho, presidente da Direção do FC Cesarense
O IMPACTO VAI ALÉM DO CAMPO “Este torneio traz milhares de pessoas à nossa vila.” Ângelo Silva, presidente da Junta de Freguesia de Cesar
DEIXAR OS JOVENS CRESCER “O futebol de formação deve ser uma festa para os nossos jovens.” José Neves Coelho, Associação de Futebol de Aveiro
VALORIZAR A TERRA “Estas iniciativas valorizam o nosso território e criam condições para a prática desportiva.” Hélder Simões, vereador do Desporto da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis