9 Jan 2026
Manuel Almeida, vereador do Chega na Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
Presidente responde com constrangimentos técnicos, falta de meios humanos e defesa da gestão
A reunião pública da Câmara Municipal de 7 de janeiro ficou marcada por um confronto político direto entre o vereador do Chega, Manuel Almeida, e o presidente da Câmara, Joaquim Jorge. Em causa estiveram promessas anunciadas com grande impacto público, investimentos que não produziram os resultados esperados e opções políticas que, segundo o Chega, revelam prioridades trocadas.
O primeiro grande tema levantado pelo Chega foi a promessa feita em 2024 de pavimentação de 150 ruas ao longo de 2025, apresentada como um dos compromissos emblemáticos do Executivo. Para Manuel Almeida, a questão central não é o anúncio, mas a execução real e a transparência dos resultados.
O vereador questionou quantas ruas foram efetivamente pavimentadas, quantas ficaram por concluir e qual o balanço global da intervenção, criticando a ausência de dados concretos que permitam confirmar o cumprimento da promessa. A crítica apontou para uma prática de comunicação política baseada em números redondos, sem prestação de contas detalhada.
Na resposta, Joaquim Jorge rejeitou a ideia de incumprimento, afirmando que “a grande maioria” das ruas foi pavimentada. Reconheceu, no entanto, que existem exceções pontuais e atrasos, garantindo disponibilidade para facultar posteriormente a listagem das ruas previstas e executadas. Em plenário, porém, não avançou números concretos nem um balanço detalhado.
Máquina do asfalto: investimento feito, solução por concretizar
Outro ponto de confronto foi a máquina de reparação de pavimentos asfálticos, adquirida em dezembro de 2018 e apresentada, à época, como uma solução para agilizar a manutenção da rede viária municipal. Para o Chega, o equipamento tornou-se símbolo de um investimento público sem retorno visível.
Manuel Almeida considerou legítimo questionar se a máquina está operacional e a ser utilizada, sugerindo que o investimento acabou por não cumprir o objetivo anunciado. O presidente confirmou as dificuldades, explicando que a máquina apresentou problemas técnicos recorrentes, estando “constantemente entupida” e sem a produtividade esperada.
Mais significativo foi o reconhecimento de um problema estrutural: a falta de recursos humanos para operar o equipamento. Joaquim Jorge admitiu que, neste momento, o município não dispõe de pessoal qualificado para o efeito, atribuindo a dificuldade à incapacidade de competir com o setor privado em termos salariais. Segundo afirmou, com salários na ordem dos 920 euros, é muito difícil contratar eletricistas, carpinteiros ou motoristas.
Festas de Natal e passagem de ano: investimento cultural ou excesso de despesa?
A programação natalícia e de passagem de ano foi outro dos alvos centrais da crítica do Chega. Manuel Almeida começou por reconhecer as iniciativas, mas deixou claro que, para o partido, o problema não está na realização dos eventos, mas no custo associado.
O vereador defendeu que é necessário exigir equilíbrio e responsabilidade na gestão do dinheiro público, considerando que os valores investidos são excessivos face a prioridades estruturais que continuam por resolver no concelho. A crítica implícita foi a de que a Câmara privilegia iniciativas de visibilidade política e retorno mediático, enquanto persistem carências em áreas como infraestruturas, segurança e serviços básicos.
O presidente rejeitou a acusação de despesismo, respondendo que Oliveira de Azeméis continua a ser um dos municípios do país com maior equilíbrio orçamental e maior rigor nas contas públicas. Segundo Joaquim Jorge, os eventos devem ser encarados como investimentos estratégicos na promoção do território e na dinamização económica e social, não colocando em causa a saúde financeira do município.
Bombeiros Voluntários: três anos de espera e responsabilidade partilhada
O Chega trouxe ainda para o debate a situação dos Bombeiros Voluntários, que aguardam há cerca de três anos uma cobertura para proteger ambulâncias e viaturas. Manuel Almeida sublinhou tratar-se de uma corporação essencial para a segurança e o socorro da população, questionando quando haverá uma resposta concreta e final da Câmara.
Na resposta, o presidente confirmou que o pedido existe e reafirmou a disponibilidade do município para apoiar, desde que exista enquadramento legal. Contudo, afastou a responsabilidade exclusiva da autarquia, defendendo que o município de Arouca deve ser chamado a participar neste tipo de investimento, uma posição que gerou maior controvérsia no debate.
OBRAS PÚBLICAS
Posto da GNR de Cucujães com infiltrações desde a inauguração
No final da intervenção, o Chega levantou um caso concreto que classificou como grave: o posto da GNR de Cucujães começou a apresentar infiltrações apenas dois meses após a inauguração e continua sem solução definitiva.
Manuel Almeida questionou se a garantia da obra foi acionada e por que motivo, passados quase cinco anos, a situação permanece por resolver. O presidente admitiu não ter informação imediata sobre o acionamento da garantia, comprometendo-se a averiguar o processo e admitindo um eventual incumprimento por parte do empreiteiro.