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Correio de Azeméis

6 Aug 2026

Cidacos quer recriar a sopa do vidreiro  à moda de Azeméis

Exclusivos Oliveira de Azeméis Concelho

António Resende esteve nos estúdios da Azeméis TV com Tiago Silva, vice-presidente da direção, e Emanuel Sousa, vogal, revelando quererem levar a concurso uma versão oliveirense da sopa do vidreiro, preparada com carne de porco desfiadaem vez de bacalhau

> GRUPO PROCURA RECUPERAR UMA VERSÃO OLIVEIRENSE DA RECEITA

A sopa do vidreiro sorteada ao Grupo Folclórico de Cidacos vai chegar às Festas de La Salette com uma diferença: em vez de se limitar à receita da Marinha Grande, feita com bacalhau e ovo escalfado, António Resende procura recuperar uma versão de Oliveira de Azeméis, preparada com carne de porco desfiada.

 

O presidente da direção está a recolher informação sobre uma sopa ligada às famílias de vidreiros do concelho. A história toca-lhe de perto: o sogro trabalhou no vidro e teve 18 filhos, numa casa onde a carne vinha muitas vezes do porco criado pela família ou por um vizinho e depois repartido na matança. A comida era partilhada numa bacia metálica, com todos à volta e sem talheres para todos.
“Por que não fazer a recolha aqui e promover a sopa do vidreiro de Oliveira de Azeméis?”, questiona António Resende. O dirigente considera que a receita local se aproxima da sopa do lavrador e que o bacalhau nem sempre estava ao alcance das famílias. A carne de porco desfiada surge, por isso, como o ingrediente que distingue a versão oliveirense. 

Bacalhau numa tigela de barro
A receita mais conhecida, associada à Marinha Grande, leva batata cortada fina, pão, broa, alho e azeite. Depois de os sabores se misturarem, juntam-se o bacalhau cozido e o ovo escalfado, servidos por camadas numa pequena tigela de barro. António Resende compara a preparação ao bacalhau à espanhola e admite que é hoje uma sopa mais cara devido ao preço do peixe.
A versão de Oliveira de Azeméis manterá uma base semelhante, mas troca o bacalhau pela carne de porco. Para António Resende, a circulação de pessoas e de saberes entre os dois territórios vidreiros ajuda a explicar as semelhanças entre as receitas e as adaptações aos produtos disponíveis em cada casa.
O Grupo de Cidacos admite apresentar as duas versões no dia da avaliação, embora só a receita oliveirense deva ser entregue ao júri. “Estou a fazer um levantamento científico”, afirma António Resende. O trabalho cruza memórias familiares, hábitos alimentares e a ligação histórica entre Oliveira de Azeméis e a Marinha Grande.
Como confrade das Papas de São Miguel, o dirigente recorda também a ligação à confraria da Sopa do Vidreiro. O objetivo é procurar elementos que sustentem uma preparação própria de Oliveira de Azeméis. 

Um prémio e uma sopa
O Festival das Sopas atribuirá este ano um único prémio, no valor de 200 euros. Na edição anterior, o Grupo de Cidacos apresentou sopa à lavrador e ficou em quarto lugar. António Resende atribui o resultado à falta de informação sobre a hora de passagem do júri: a sopa precisava de mais tempo para apurar e não foi servida no ponto pretendido.
Desta vez, o grupo quer preparar com antecedência a receita e dar destaque à sua origem oliveirense. “Pelo menos, a sopa do vidreiro de Oliveira de Azeméis vai estar lá para avaliação”, garante o presidente.
A participação de Cidacos não se esgota no concurso. A tasquinha estará aberta de 3 a 10 de agosto e servirá também rojões, caldo verde, arroz de feijão, chouriço, favas, moelas e bifanas preparadas por Isabel Oliveira, mãe de Tiago Silva. Haverá recipientes para levar a comida, embora o grupo convide os visitantes a trazerem os seus próprios.
A sopa poderá ser provada durante as festas, enquanto António Resende continua a procurar testemunhos que ajudem a fixar uma receita associada aos vidreiros de Oliveira de Azeméis. 

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