Cofre cheio ou falta de obra? CHEGA acusa Câmara de arrecadar muito e concretizar pouco. AD diz que o superávit é o resultado de obras por concluir

Concelho Política

Contas da Câmara de Oliveira de Azeméis geram discussão acesa na reunião do executivo

A aprovação das contas municipais de 2025 revelou um excedente líquido de 18,8 milhões de euros, mas o que o executivo apresenta como "gestão rigorosa" é classificado pela oposição como um sintoma de "incapacidade de execução". Enquanto Joaquim Jorge destaca recordes de investimento, a oposição denuncia que a autarquia apenas executou metade do que prometeu aos oliveirenses.

A reunião de Câmara Pública realizada a 15 de abril de 2026 teve sobre a mesa a a saúde financeira de Oliveira de Azeméis. Em causa está o relatório de gestão de 2025, que apresenta um resultado líquido positivo de 18,8 milhões de euros e uma dívida municipal estabilizada nos 13,8 milhões. Para o Presidente da Câmara, Joaquim Jorge, estes números são a prova de uma gestão "competente" que permite pagar a fornecedores em apenas 27 dias.

No entanto, o otimismo do autarca esbarrou nas críticas cerradas da oposição. O vereador Manuel Almeida (CHEGA) não hesitou em apontar o dedo à discrepância entre a receita e a obra feita: "A Câmara é boa a arrecadar, mas falha na concretização". Em causa está a taxa de execução do Plano Plurianual de Investimento (PPI) com capitais próprios, que se ficou pelos 51% — ou seja, dos 36 milhões de euros previstos, apenas 16,7 milhões saíram do papel.

"Navegação à vista" e o fantasma do absentismo

O tom subiu de tom quando o vereador Pedro Marques (AD) classificou o relatório como um documento "autoelogioso" e "socialista", acusando o executivo de falta de visão estratégica e de "propaganda". Para a oposição, o superávit não é uma vitória, mas sim o resultado direto de obras anunciadas que continuam por concluir e de um planeamento "irrealista".

Para além das obras, a gestão interna da autarquia foi colocada sob escrutínio. Pedro Marques destacou dados "preocupantes" sobre os recursos humanos: uma média de idades de 51 anos entre os trabalhadores e uma taxa de absentismo de 14,1%, o que equivale a 32 dias de ausência por ano por cada funcionário. Joaquim Jorge rebateu as críticas, comparando o investimento de 2025 com mandatos anteriores e assegurando que Oliveira de Azeméis investe hoje, num só ano, mais do que era feito em quadros de quatro anos no passado.

A falha na concretização "A Câmara é boa a arrecadar, mas falha na concretização. O investimento com recurso a capitais próprios ficou abaixo do objetivo inicialmente definido, situando-se em cerca de 16,7 milhões de euros, face a uma meta de 36 milhões. Este excedente resulta de um nível de execução da despesa e do investimento muito inferior ao inicialmente previsto." Manuel Almeida, Vereador do CHEGA

A defesa da gestão competente "Este resultado de 18,8 milhões de euros resulta da forma rigorosa como nós gerimos a autarquia, da forma competente. No ano de 2025, só num ano, nós investimos 21,3 milhões de euros. Veja bem a diferença: entre 2009 e 2012 investiram-se 16,2 milhões em quatro anos. Nós fazemos mais num ano do que se fazia num mandato." Joaquim Jorge, Presidente da Câmara Municipal

Crítica ao "padrão socialista" "Estamos perante um relatório que revela um padrão manifestamente socialista e perigoso: promete-se mais do que se faz, planeia-se mal e executa-se ainda pior. O superávit não é bandeira, é falta de execução. 51% de execução é muito baixo. O problema das pessoas continua por resolver e o que é estruturante está a ser adiado ano após ano." Pedro Marques, Vereador da coligação AD

O peso do absentismo e da idade "A média de idades dos trabalhadores é muito elevada, 51 anos, e as taxas de absentismo são muito elevadas: 14,1%. Em média, cada trabalhador está 32 dias ausente do serviço. Isto indica problemas de gestão interna e algum desgaste organizacional para um município que se quer moderno." Pedro Marques, Vereador da coligação AD

O foco na saúde financeira "Temos a dívida municipal estabilizada e o prazo médio de pagamento em 2025 reduziu para 27 dias. A Câmara Municipal paga os seus fornecedores praticamente a pronto, a tempo e horas. Somos referenciados como uma câmara altamente cumpridora e com uma margem de endividamento confortável." Joaquim Jorge, Presidente da Câmara Municipal

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