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Correio de Azeméis

1 Apr 2026

D. Roberto Mariz leva às escolas aviso contra o bullying e a “bulimia digital”

Concelho

D. Roberto Mariz foi recebido pela diretora da escola, Maria José Cálix

> Na Soares Basto e na Ferreira de Castro

Em dia de visita pastoral dedicado ao meio escolar, D. Roberto Mariz passou pelas duas sedes de agrupamento da cidade e deixou uma mensagem centrada na formação integral dos alunos, na inclusão, na interajuda e no uso saudável das tecnologias.

O Bispo Auxiliar do Porto, D. Roberto Mariz, esteve nas sedes de agrupamento da cidade para avisar que a escola não pode ser um lugar atravessado pela violência, pelo bullying ou pela exclusão. 
Numa das mensagens mais diretas desta fase da visita pastoral, defendeu que o ambiente escolar deve ser construído como espaço de comunhão, de respeito e de ajuda mútua, onde quem revela mais dificuldades não seja “espezinhado” nem olhado com preconceito, mas antes acompanhado pelos outros.
Ao mesmo tempo, D. Roberto Mariz deixou outro alerta forte, desta vez sobre a relação dos jovens com os ecrãs. Em declarações à Azeméis TV/FM, antes de entrar na Escola Secundária Soares Basto, o bispo auxiliar recuperou uma expressão usada pelo Papa Francisco no Jubileu da Juventude — “bulimia digital” — para chamar a atenção para o risco de uma utilização doentia da tecnologia, capaz de cortar relações presenciais, empobrecer a convivência e até servir para difamar ou espalhar falsas notícias.
D. Roberto Mariz dedicou o dia de quinta-feira, 26 de março, a assumir ele próprio aulas de Educação Moral e Religiosa Católica no âmbito da visita pastoral à paróquia de S. Miguel de Oliveira de Azeméis. A primeira passagem aconteceu durante a manhã, na Escola Secundária Soares Basto, junto de alunos do 8.º ano. Da parte da tarde, o programa prosseguiu na Escola Secundária Ferreira de Castro, com a mesma linha de contacto direto com o universo escolar.

Escola como lugar de formação 
humana
Em declarações à Azeméis TV/FM, D. Roberto Mariz explicou que a presença nas escolas faz sentido porque é ali que se joga uma parte decisiva do futuro da comunidade. Mais do que um lugar de instrução, descreveu a escola como espaço onde se constrói conhecimento, se formam valores e se prepara o crescimento de cada criança e de cada jovem. Por isso, começou por deixar uma palavra de reconhecimento à comunidade educativa, alargando-a a docentes, não docentes, alunos e famílias.
A esse reconhecimento juntou uma mensagem de exigência. O bispo auxiliar do Porto sublinhou a importância do esforço, da dedicação e da responsabilidade pessoal, lembrando que o presente e o futuro dependem dos outros, mas dependem também muito de cada um. A aprendizagem, sustentou, exige condições e apoio, mas também empenho individual, persistência e vontade de fazer bem.

Inclusão, respeito e combate ao bullying
Outro dos eixos centrais da intervenção foi a defesa de uma escola inclusiva e integradora. D. Roberto Mariz afirmou que o meio educativo deve saber acolher as diferentes circunstâncias de vida dos alunos e ajudá-los a crescer em conjunto, sem deixar ninguém para trás. Nessa perspetiva, insistiu na ideia de que a escola deve ser lugar de interajuda fraterna, de convivência sadia e de amizade real entre os mais novos.
Foi nesse quadro que abordou o bullying, tratado como um problema concreto da realidade escolar e não como uma abstração. O bispo auxiliar disse estar convicto de que a comunidade educativa deseja uma escola não cruzada com violência e defendeu que, sempre que surgirem sinais de agressão, humilhação ou exclusão, deve existir estratégia para travar essas dinâmicas e vencê-las. A escola, resumiu, tem de ser um lugar onde se cresce com os outros e não contra os outros.

 

Religião e escola no terreno do respeito
Ainda em declarações prestadas à Azeméis TV/FM, D. Roberto Mariz sublinhou também a disponibilidade da Diocese e da paróquia para colaborar com a escola naquilo que for útil, sempre com respeito pela diversidade de crenças e convicções presente no espaço educativo. A vivência da fé, sustentou, só faz sentido neste contexto se for fator de tolerância, interação e respeito pela diferença, nunca linha de fratura ou imposição sobre os outros.

“Na escola pode-se construir muito disso e constrói-se muito disso. Nós precisamos da ajuda dos outros, os outros precisam da nossa ajuda. Quando alguém tem mais dificuldade, que não se espezinhe ou não se tenha um olhar preconceituoso, mas pelo contrário sejamos capazes de dar a mão e interagir. A escola tem de ser esse lugar de companhia, de ajuda e de crescimento em conjunto.” 

“O Papa usou aquela expressão no jubileu da juventude, a bulimia digital. É uma expressão bela porque vai àquilo que é mais fundante e fundamental na nossa existência humana. O digital é uma ferramenta importante, essencial no caminhar do nosso tempo, mas sem cairmos no risco daquilo que é doentio. Quando se torna uma utilização doentia, deixa de ser uma ferramenta positivadora e passa a construir negativamente a vida das pessoas.”

“Na escola se forma, se instrui na importância do conhecimento, mas também na importância da formação dos valores, no crescimento de cada ser humano e no construir do futuro. A palavra essencial é de reconhecimento por aquilo que a escola e o agrupamento são como instituição. Queremos também, na diferença e na tolerância, perceber que há um conjunto de valores e de respeitos humanos importantes para o caminhar conjunto.”
D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto

 

CAIXA

O digital como ferramenta, não como dependência
A reflexão de D. Roberto Mariz passou depois para o campo digital. Ao falar em “bulimia digital”, procurou mostrar como uma ferramenta útil e hoje indispensável pode transformar-se, quando usada sem medida, num fator de desordem pessoal e social. A tecnologia, disse, é importante no presente e será ainda mais no futuro, mas não pode substituir a relação humana nem alimentar formas de isolamento
Na mesma linha, advertiu para os usos destrutivos do digital, nomeadamente quando passa a servir para o mal, para a difamação ou para a circulação de notícias falsas que degradam a vida das pessoas e a relação entre elas. O uso saudável da tecnologia, defendeu, implica equilíbrio e sentido crítico.

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