12 Feb 2026
Jorge Melo Pereira*
Opinião > Jorge Melo Pereira
Nas últimas semanas, Portugal tem sido fustigado por várias depressões atlânticas, associadas a frentes frias, que têm resultado em forte agitação marítima, chuvas persistentes e fortes, granizo, ventos severamente fortes, até mesmo o maior nevão dos últimos 40 anos.
Os avisos da meteorologia são emitidos, os alertas da Proteção Civil são divulgados com recomendações para que as pessoas se protejam e não se aproximem das zonas de risco como exemplo da orla Costeira, os SMS de alerta nos casos de níveis mais gravosos são emitidos para a população no mesmo sentido, reforçando a ideia de que a “coisa” será para levar a sério.
Na verdade, como reagem as pessoas perante os riscos e os perigos?
Há muitos anos (mais de 20) que se discute no seio académico e nas instituições que compõem a proteção civil, da necessidade de se investir na educação da população, desde os primeiros anos de ensino, passando pela população mais adulta, para que possamos criar uma sociedade mais prevenida e com cultura de segurança e perceção do risco, mais resiliente.
Ora isto depende da coragem dos sucessivos governos na sua implementação, o que até ao momento ainda não aconteceu.
No nível Municipal, sendo este o Patamar que se encontra mais próximo das populações, têm um papel importante na sensibilização, na informação e na preparação da sua população para os diferentes riscos que existem no nosso município e darem a conhecer esses mesmos riscos, identificados na carta de risco municipal.
O que tem sido feito nesta matéria?
Enquanto exerci as minhas funções de deputado municipal (8 anos), defendi acerrimamente a capacitação da Proteção Civil Municipal e a criação de Unidades Locais de Proteção Civil, ao nível das freguesias. Era apelidado de “profeta da desgraça”.
Talvez agora, as pessoas consigam perceber a importância destas Unidades Locais, perante situações de catástrofe, como a que a Kristin trouxe ao nosso País e como estas Unidades Locais de Proteção Civil, no Município de Leiria, foram preponderantes no apoio às suas populações.
Gostaria de lembrar que o nosso município estava na rota de entrada desta depressão.
Felizmente para todos nós que se deslocou para Sul, senão, qual seria o cenário que iríamos encontrar?
Constato na revisão do Plano Municipal de Emergência, que se encontra em fase de pós discussão, que é considerado na carta de risco municipal o risco elevado para tempestades e ciclones, mas não vejo em lado algum a intenção da criação das Unidades Locais de Protecção Civil.
Também não vi até ao momento, a declaração de alerta à população, uma ferramenta da competência do Presidente da Câmara, mesmo depois de ter sido declarada a ativação do Plano Nacional de Emergência.
Coloca-se agora uma pergunta, será que estamos preparados em Oliveira de Azeméis para dar resposta à sua população perante uma catástrofe como a vivenciada em Leiria?
É que Leiria soube dar resposta e mesmo assim, está à vista de todos.
Um forte abraço aos portugueses, e a todas as forças voluntárias e militarizadas que se mantêm empenhados na recuperação desta catástrofe.
* Colaborador