Desenvolvimento Económico: entre o discurso e a ação

Opinião

José Campos*

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Espero, desde logo, que esta crónica possa constituir um contributo para a reflexão dos oliveirenses. 

Este meu primeiro artigo aborda um tema que me é particularmente caro e que me preocupou desde a primeira hora em que exerci funções enquanto vereador: o desenvolvimento económico do concelho, a requalificação das nossas zonas industriais e a importância de criar condições reais para o desenvolvimento empresarial.

Oliveira de Azeméis tem um tecido empresarial forte e uma tradição industrial reconhecida. No entanto, essa realidade exige trabalho permanente, visão estratégica e políticas concretas que garantam que as empresas encontram no nosso território condições para crescer, inovar e investir.

Nos últimos tempos assistimos, a uma comunicação institucional por parte da Câmara Municipal que, no mínimo, se apresenta carregada de um descaramento difícil de ignorar. Refiro-me ao uso dos órgãos oficiais do município para difundir mensagens que mais parecem propaganda política do que informação institucional. Fala-se da suposta atratividade do concelho para as empresas, da facilidade de licenciamentos e do empenho do executivo. Um conjunto de chavões que, na prática, além de serem chavões estão exatamente nos antípodas da realidade.

Não sei o que é mais preocupante: se o uso indevido dos canais institucionais para fins meramente políticos, se o facto de esta comunicação surgir precisamente num momento em que se tornam públicas notícias de empresas do concelho que enfrentam dificuldades sérias e ponderam mesmo sair de Oliveira de Azeméis, mostrando o carácter reativo em vez de preventivo deste executivo camarário.

Alertei vezes sem conta que o desenvolvimento económico deveria ser um pilar estratégico da ação municipal. Ano após ano foram sendo apresentadas justificações, adiamentos e muitos anúncios vazios. As palavras foram sempre muitas e sempre bonitas, mas a ação tardou em chegar.

Agora, perante sinais preocupantes, aquilo que os oliveirenses reclamam é simples: mais ação e menos palavras.
Infelizmente, pela amostra, tudo indica que o marketing político continuará a ter mais peso do que as decisões estruturais de que o concelho precisa. E nessa matéria — a do desenvolvimento e do investimento empresarial — Oliveira de Azeméis corre o risco de continuar a perder competitividade para concelhos vizinhos.

O futuro económico de Oliveira de Azeméis não se constrói com slogans. Constrói-se com ação.

*Ex-vereador (AD) da câmara municipal de Oliveira de Azeméis

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