31 May 2026
Fundada em 1956 por António Soares de Pinho e Maria de Jesus do Rosário, a Drogaria Nogueirense assinalou 70 anos em Nogueira do Cravo com a memória de uma casa que atravessou gerações sem sair da família. A loja continua a servir a freguesia e localidades vizinhas, mantendo a proximidade que fez do comércio tradicional um ponto de confiança no dia a dia.
Celeste do Rosário Pinho da Silva Mota tinha cinco anos quando os pais abriram a drogaria. Cresceu entre clientes, funcionários, materiais de construção, revenda de gás e pequenos artigos que resolviam necessidades urgentes. “Foi uma vida aqui passada”, recordou, sublinhando a amizade criada com quem entrava na loja e voltava durante anos.
As três filhas dos fundadores estiveram ligadas ao negócio em diferentes fases, até a continuidade ficar entregue a Celeste e ao marido, António Augusto Valente da Silva Mota. A história familiar mantém-se visível em antigos livros de contas, recibos e objetos guardados como relíquias de uma época em que muitos clientes levavam material e pagavam quando podiam.
Na celebração, Manuel Rebelo, presidente da Junta de Freguesia de Nogueira do Cravo, destacou a resistência da Drogaria Nogueirense num tempo em que muitos estabelecimentos tradicionais desapareceram. “É uma referência na nossa comunidade”, afirmou, lembrando que a loja evita deslocações para fora da localidade quando falta “um parafuso, um prego ou qualquer coisa”.
A casa mantém hoje mais de 2.200 produtos disponíveis e continua a fazer revenda de gás. Para a família, o futuro poderá já não passar pela sucessão direta, mas Celeste acredita que a Drogaria Nogueirense tem condições para continuar: “Tem um passado grandioso, um presente bom e poderá ter futuro”.