29 Sep 2026
O novo regulamento do cemitério e da casa mortuária deveria ter sido votado na Assembleia, mas acabou retirado depois das dúvidas colocadas por PS e CHEGA.
O documento esteve 30 dias em consulta pública sem receber reclamações ou sugestões, mas acabou retirado antes da votação. PS e CHEGA levantaram dúvidas sobre abandono de concessões, direitos dos herdeiros, transmissão de campas, destino de restos mortais e coimas que poderiam chegar aos 15 mil euros.
O novo regulamento do cemitério e da casa mortuária de Cucujães não chegou a ser aprovado. Levado à Assembleia de Freguesia para votação final, o documento acabou retirado pelo executivo depois de PS e CHEGA terem colocado um conjunto de dúvidas sobre regras com impacto direto nas famílias.
O desfecho aconteceu depois de o projeto ter cumprido 30 dias de consulta pública sem receber qualquer reclamação ou sugestão de alteração. Uma circunstância que Elisabete Barnabé fez questão de recordar quando a discussão começou a revelar reservas ao documento.
A presidente da Junta considerou legítimas as questões colocadas, mas observou que poderiam ter sido apresentadas durante o período de consulta. “Não houve sugestões, não houve reclamações”, salientou.
Apesar do reparo, Elisabete Barnabé entendeu que o número de dúvidas justificava não avançar para a votação. Admitiu que o regulamento possa regressar numa próxima Assembleia, depois de revisto, e colocou mesmo em cima da mesa a possibilidade de criação de um grupo de trabalho.
O PS começou por esclarecer que não se opõe à existência de um regulamento para o cemitério e casa mortuária, mas considerou que o documento apresentado precisava de maior adaptação à realidade de Cucujães.
Uma das reservas incidiu sobre o prazo de um ano previsto para que a falta de zelo, limpeza e manutenção possa servir de pressuposto para considerar uma concessão abandonada. Para os socialistas, trata-se de um período demasiado curto, tendo sido apontado como mais adequado um prazo de três ou quatro anos.
A bancada levantou igualmente a questão da transmissão das concessões entre particulares. O argumento apresentado foi o de que quem adquire uma campa ou outro espaço concessionado não compra o terreno, que continua a pertencer à Junta, mas apenas o respetivo direito de utilização.
Neste contexto, o PS defendeu que deve ser ponderada a reversão desses espaços para a freguesia quando deixem de ser necessários às famílias, em vez de poderem continuar a ser transacionados entre particulares. Durante a intervenção foi mesmo criticada a existência de espaços no cemitério anunciados para venda, numa situação que, no entender da bancada, pode abrir caminho a valores especulativos.
Os columbários foram igualmente colocados na discussão. O PS considerou que esta solução deveria ser mais desenvolvida no regulamento, quer pelo aproveitamento do espaço, quer por poder representar uma alternativa mais acessível para algumas famílias.
Caso o documento tivesse sido colocado a votação tal como estava, os socialistas anunciaram que se absteriam.
Leandro Silva, do CHEGA, aprofundou sobretudo as consequências das regras para os familiares dos concessionários.
O eleito questionou o prazo de um ano para os herdeiros regularizarem determinadas situações depois da morte do titular da concessão e chamou a atenção para casos de famílias emigradas, pessoas que desconheçam a obrigação ou situações antigas em que já não exista a documentação original.
Também quis saber como serão identificadas as concessões consideradas abandonadas, que critérios serão utilizados para avaliar a falta de conservação e que garantias existirão antes de os restos mortais serem retirados dos espaços.
Outro dos pontos destacados foram os encargos que determinadas operações poderão representar para as famílias e a existência, ou não, de mecanismos destinados a situações de maior fragilidade económica.
Leandro Silva chamou ainda a atenção para as coimas previstas no documento. Segundo os valores que apresentou na Assembleia, poderiam variar entre 500 e 7.000 euros para pessoas singulares e entre 1.000 e 15.000 euros para pessoas coletivas. Para infrações relacionadas com a casa mortuária foram igualmente referidos valores entre 250 e 1.000 euros.
Perante as dúvidas, o executivo optou por não avançar. A presidente da Assembleia confirmou a retirada do regulamento, que voltará a ser discutido depois de revisto.
A discussão do regulamento voltou também a colocar em evidência duas realidades do cemitério de Cucujães: a transmissão de concessões entre particulares e a aposta recente nos columbários.
O PS chamou a atenção para a existência de espaços concessionados colocados à venda e manifestou reservas à possibilidade de estas transações poderem gerar valores especulativos. A bancada entende que, quando uma família deixe de necessitar do espaço, deve ser ponderada a sua reversão para a Junta.
Já os columbários tinham sido referidos pela própria presidente da Junta noutro momento da sessão. Elisabete Barnabé revelou que tinham sido vendidos 13, acrescentando que a receita obtida ainda não permitiu recuperar o investimento realizado.
A solução dos columbários voltou depois à discussão do regulamento, com o PS a defender que a sua utilização deveria ser melhor contemplada nas novas regras, quer como forma de aproveitar o espaço existente, quer como alternativa para as famílias.