24 May 2026
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Mãe de jovem vítima de violência no namoro conta como a filha foi tratada durante meio ano
A mãe de uma jovem de 15 anos apresentou queixa na GNR contra o namorado da filha por violência no namoro. A queixa seguiu para o Ministério Público, onde mãe e filha já foram ouvidas.
Os jovens, ambos de 15 anos, são alunos do 10º ano na Escola Dr. Ferreira da Silva, em Cucujães, e algumas situações de violência terão ocorrido, de acordo com a mãe, dentro do recinto escolar. Este era o primeiro ano da rapariga naquele estabelecimento de ensino e é também o último, porque, segundo a mãe, “ela não tem condições para voltar a frequentar aquela escola”.
“Através de mensagens no telemóvel, ele exercia violência psicológica. A minha filha também era agredida de forma disfarçada e ele deixava-a com marcas físicas. Ele chegou a deixar os dentes marcados no ombro da minha filha”, começou por contar ao Correio de Azeméis a mãe, a quem vamos dar o nome de ‘Maria’. A mulher teve acesso às mensagens trocadas entre o casal de namorados e relata a “brutalidade como ela era tratada” e “os maus-tratos verbais”.
A relação entre os jovens terá começado em outubro de 2025 e durou até ao passado mês de abril, altura em que a mãe descobriu o que se estava a passar com a filha, que tentou sempre ocultar os casos de violência. “Eu fui notando alterações no comportamento da minha filha. Nestes meses, ela perdeu 12kg, porque ele nem a deixava ir comer”, explicou Maria, acrescentando que “ela foi aceitando, sem noção do que se estava a passar. A certa altura acho que ela já tinha medo”. De acordo com as declarações da mãe, o rapaz terá também instalado um localizador no telemóvel da vítima para controlar os seus passos e saber sempre onde ela estava.
A aluna está sem frequentar a escola desde abril, tendo apresentado um atestado médico para justificar as faltas, acompanha a matéria à distância e faz os exercícios que os professores lhe enviam. A jovem, conta a mãe, chegou a estar internada no hospital “com uma depressão profunda e sem forças”. Agora está em casa e sem acesso ao telemóvel. “A minha filha está a fazer uma desintoxicação das redes sociais, tenho que a recuperar física e psicologicamente”.
A GNR confirmou, ao Correio de Azeméis, que recebeu a queixa de violência e que a mesma foi encaminhada para o Ministério Público. Contactada a Escola Dr. Ferreira da Silva, o Correio de Azeméis não conseguiu chegar à conversa com qualquer elemento da direção daquele estabelecimento de ensino.