Manuel Almeida em entrevista à Azeméis TV, no rescaldo da noite eleitoral
O mandatário da candidatura de André Ventura em Oliveira de Azeméis, Manuel Almeida, considerou confortáveis os resultados obtidos pelo candidato apoiado pelo Chega na segunda volta das eleições presidenciais, sublinhando o crescimento da votação face à primeira volta e o reforço da implantação do partido no concelho. Em análise aos resultados locais e nacionais em direto na Azeméis TV, o dirigente apontou ainda o aumento dos votos brancos e nulos e afirmou que o partido sai “mais animado” para futuros atos eleitorais.
A segunda volta das eleições presidenciais de 2026 traduziu-se, no concelho de Oliveira de Azeméis, num aumento significativo da votação em André Ventura, candidato apoiado pelo Chega. Em declarações em estúdio, Manuel Almeida, representante local do partido, destacou a subida percentual e o acréscimo de cerca de 2.500 votos entre a primeira e a segunda volta, considerando que os objetivos traçados foram, em larga medida, alcançados.
“Estávamos a contar superar os 30% e isso foi conseguido”, afirmou, reconhecendo que vencer a eleição seria sempre um cenário difícil num contexto que descreveu como de convergência generalizada contra o candidato do Chega. Ainda assim, sublinhou que aceita o resultado como positivo e mobilizador para o partido a nível local.
Resultados em linha com o plano nacional
Na leitura feita por Manuel Almeida, os resultados registados em Oliveira de Azeméis acompanham a tendência nacional, o que, na sua perspetiva, reforça a legitimidade política do crescimento do Chega. O dirigente chegou a afirmar que um desempenho abaixo do registo nacional teria colocado em causa a sua continuidade enquanto responsável local.
“Se fosse inferior, eu entregava a pasta”, afirmou, defendendo que os números obtidos dão “ânimo extra” ao partido e fortalecem a determinação para continuar o trabalho iniciado nos últimos ciclos eleitorais, nomeadamente nas legislativas e nas autárquicas.
O mandatário concelhio da candidatura de Ventura às Presidenciais 2026 reconheceu que a campanha da segunda volta foi condicionada por fatores externos, como as condições meteorológicas, que limitaram ações de proximidade. Ainda assim, destacou o contacto direto com a população sempre que foi possível, assumindo que o partido fez “o que conseguiu” dentro das circunstâncias existentes.
Manuel Almeida considerou que, apesar das limitações, a campanha permitiu manter a presença junto dos eleitores e consolidar a imagem do partido, reconhecendo que “é sempre possível fazer mais”, embora nem sempre seja viável.
Um dos dados analisados durante a conversa foi o aumento expressivo dos votos brancos e nulos na segunda volta, que praticamente duplicaram face à primeira. Para Manuel Almeida, este crescimento traduz a insatisfação de uma parte do eleitorado com as duas opções em disputa.
“Nenhum dos candidatos os convenceu”, afirmou, interpretando esses votos como um sinal de rejeição das propostas apresentadas. O dirigente sublinhou ainda que esta tendência não se limitou ao plano local, estando em linha com o que se verificou a nível nacional.
Aceitação crescente do Chega no concelho
Questionado sobre a perceção do partido junto da população, Manuel Almeida considerou que o Chega é hoje mais aceite em Oliveira de Azeméis do que em fases iniciais da sua implantação. Na sua leitura, os resultados eleitorais sucessivos confirmam uma tendência de crescimento contínuo desde 2021.
O dirigente afirmou que o aumento da militância, da presença em freguesias e do contacto direto com os cidadãos reflete uma maior normalização do partido no espaço político local, admitindo, contudo, que continuará a existir contestação, algo que enquadrou como parte do funcionamento democrático.
No plano autárquico, Manuel Almeida garantiu que os resultados das presidenciais não irão alterar a postura dos eleitos do Chega nos órgãos municipais. O dirigente afirmou que continuará a exercer uma atuação crítica sempre que necessário, elogiando o executivo quando considerar justificado, independentemente da aceitação política dessas posições.
Segundo explicou, a diferença poderá estar num reforço do contacto com a população e numa maior presença no terreno, aproveitando o impulso resultante dos resultados eleitorais.
Um resultado que reforça o partido “Este resultado em Oliveira de Azeméis é confortável para nós. Superámos os 30%, aumentámos cerca de 2.500 votos da primeira para a segunda volta e isso era um dos objetivos que tínhamos definido. Quando se trata do André Ventura ou de alguém apoiado pelo Chega, sabemos que numa segunda volta não é apenas um contra outro, é muitas vezes todos contra um, e mesmo assim conseguimos crescer.”
Manuel Almeida, mandatário concelhio da candidatura de André Ventura
Votos da população acima dos apoios políticos “O melhor apoio que nos podiam ter dado foi-nos dado, que são os votos da população. Os chamados notáveis podem dizer o que quiserem e tentar influenciar, mas o voto final é sempre das pessoas. E os números mostram que cada vez mais portugueses se revêm no Chega, tanto a nível local como a nível nacional.”
Manuel Almeida
Leitura dos votos brancos e nulos “O aumento dos votos brancos e nulos significa que houve eleitores que não se sentiram representados por nenhum dos dois candidatos. Nenhum os convenceu. As propostas não foram aceites ou não foram bem acolhidas e isso também é uma mensagem política que tem de ser lida, até porque este fenómeno não aconteceu só aqui, aconteceu em todo o país.”
Manuel Almeida
Implantação local e democracia “O Chega hoje já é aceite por uma boa parte da população em Oliveira de Azeméis, e isso vê-se nos resultados eleitorais sucessivos. Temos mais militantes, mais pessoas a dar a cara e estamos implantados em quase todas as freguesias. Vai haver sempre quem não aceite, isso é normal e faz parte da democracia.”
Manuel Almeida