Emoções, stress e alimentação em debate

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Nutricionista, investigadora e professora catedrática portuguesa esteve na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, numa iniciativa do Rotary Club de Oliveira de Azeméis.

"À Conversa com..." Conceição Calhau

Conceição Calhau foi convidada pelo Rotary Club de Oliveira de Azeméis para uma conversa sobre alimentação, emoções, obesidade, saúde intestinal e prevenção da doença

A nutricionista, investigadora e professora catedrática portuguesa Conceição Calhau esteve na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, para uma conversa subordinada ao tema “Engolir Sapos Engorda”, promovida pelo Rotary Club de Oliveira de Azeméis.

Durante a sessão, Conceição Calhau defendeu que a obesidade não deve continuar a ser tratada como falta de vontade ou culpa individual, mas como uma doença influenciada por vários fatores. “Esta culpa tem de ser retirada”, afirmou, alertando para o estigma que ainda recai sobre as pessoas com excesso de peso.

A especialista explicou que muitas pessoas vivem em permanente estado de alerta, acumulando responsabilidades, tensão e sofrimento emocional. Descreveu-as como “esponjas de emoções” e defendeu que, nesses casos, a alimentação surge muitas vezes como compensação. “A comida é só a fachada”, referiu, sublinhando que o problema de fundo pode estar ligado ao stress, à falta de sono, à ansiedade ou à dificuldade em cuidar de si próprio.

A conversa abordou também a perda de hábitos associados à dieta mediterrânica. Apesar de Portugal estar ligado a esse padrão alimentar, foi referido que muitos portugueses continuam a fazer refeições pobres em diversidade vegetal, com excesso de arroz, massa ou batata e pouca presença de leguminosas, hortícolas, frutos secos e cereais integrais.

Outro tema em destaque foi a saúde intestinal. Conceição Calhau explicou que a microbiota depende da variedade alimentar e da ingestão de fibras, recorrendo à imagem de que é preciso “limpar primeiro o aquário” antes de introduzir novos hábitos.

A nutricionista e investigadora deixou ainda críticas às soluções rápidas e às modas alimentares, como shots ou produtos apresentados como milagrosos. “Não há compensação”, afirmou, defendendo que a saúde não se constrói com gestos isolados, mas com hábitos consistentes. “A saúde é uma linha contínua”, concluiu, apelando a mais prevenção, menos culpa e maior atenção ao equilíbrio emocional.
 

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