11 Mar 2026
O mapa de pessoal continua a gerar debate na freguesia de Cucujães
Cucujães > Assembleia de Freguesia
A última Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia ficou marcada pela aprovação tangencial de novas taxas e pela discussão sobre o reforço do mapa de pessoal, num cenário onde a fiscalização da oposição testou os limites do Executivo.
A atmosfera na recente reunião da Assembleia de Freguesia de Cucujães revelou um dramatismo raro na política local, expondo o confronto direto entre a exigência técnica das bancadas da oposição e a realidade operacional da Junta.
Enquanto a presidente Elisabete Barnabé irrompeu em lágrimas e expunha a ferida aberta de uma gestão que a obriga a ser, simultaneamente, o rosto político e o braço administrativo da vila, os bancos da oposição mantinham o bisturi afiado sobre as contas, os métodos e a transparência do Executivo.
O mapa de pessoal aqueceu o ebate
O debate sobre a alteração ao mapa de pessoal serviu de rastilho para uma discussão mais sobre os recursos humanos da freguesia. Se, por um lado, a presidente justificava a urgência de contratar um novo assistente técnico com a necessidade de se libertar para as funções de proximidade com os cidadãos, a oposição não hesitou em questionar a matemática apresentada.
Ana Jesus, pelo Partido Socialista, liderou a ofensiva ao confrontar a Junta com dados anteriores que sugeriam uma estrutura de pessoal mais robusta do que a agora anunciada. A acusação de que a autarquia poderia estar a camuflar o número real de operacionais ao serviço — cruzando funcionários do quadro com apoios da Câmara Municipal e contratos precários de programas de emprego — pairou sobre a sala, transformando uma necessidade administrativa num caso de confiança política.
A matemática da morte e o preço do espaço
A tensão subiu de tom quando o foco se deslocou para o cemitério, um tema que tocou na sensibilidade financeira e social dos cucujanenses. Leandro Silva, do Chega, e a bancada socialista uniram-se na crítica ao que apelidaram de um custo desajustado para a realidade da população.
O confronto de números foi implacável: a Junta defendeu a taxa de 1.848,09€ como um reflexo fiel dos valores municipais de Oliveira de Azeméis, mas a oposição contrapôs com exemplos de freguesias vizinhas onde os valores são drasticamente inferiores.
A discussão técnica sobre o enquadramento do IVA e as cinco horas de trabalho administrativo previstas para cada processo de concessão revelou uma oposição que não se deixou demover pelo apelo emocional do executivo.
Para os críticos, a proposta foca-se excessivamente na arrecadação de receita em detrimento de soluções mais flexíveis, como o aluguer, que poderiam proteger as famílias economicamente mais vulneráveis.
O fiel da balança no voto de qualidade
O desfecho braço de ferro acabou por ser decidido no detalhe do regimento. A aprovação das novas taxas para columbários e ossários ficou dependente do voto de qualidade da Presidente da Assembleia, após um empate de 6-6 que espelhou a fratura ideológica e a divisão de opiniões na sala.
O recurso ao voto de qualidade para validar a tabela de taxas deixa antever um resto de mandato onde cada euro e cada contrato serão escrutinados ao pormenor pelas forças da oposição.