Entre anúncios e silêncios: nove anos depois, onde está a candidatura do vidro?

Opinião

> José Campos Silva

Foi logo no início do primeiro mandato que este executivo camarário anunciou a intenção de elevar a tradição vidreira Oliveirense ao estatuto de Património Cultural Imaterial da UNESCO. Já lá vão praticamente 9 anos. O processo foi apresentado com enorme mediatismo, conferências de imprensa, grupos de trabalho criados, estudos, protocolos e sucessivos compromissos públicos. Porém, nove anos depois, a pergunta mantém-se: onde está, afinal, a candidatura?
Desde os primeiros anúncios, o executivo garantiu que estavam reunidas as condições para avançar com o processo. Foram anunciadas equipas multidisciplinares, recolha de informação histórica, parcerias institucionais e até contratações externas com uma empresa de comunicação para supostamente apoiar a preparação da candidatura. Ao longo dos anos, sucederam-se iniciativas e eventos, anunciadas como passos decisivos para alcançar o reconhecimento internacional.
No entanto, a realidade continua distante das promessas iniciais. Em várias reuniões de Câmara foram colocadas questões concretas sobre o estado do processo, os objetivos alcançados e os prazos previstos. As respostas foram sempre vagas, sem calendário definido, sem metas cumpridas e sem esclarecimentos que permitam perceber em que fase se encontra efetivamente a candidatura.
Entretanto, os anos passaram.  Vários contratos foram celebrados, protocolos assinados e recursos públicos investidos, milhares de euros gastos. Alguns dos trabalhos anunciados remontam a 2018 e tinham horizontes temporais de vários anos. Apesar disso, não existe qualquer resultado concreto conhecido que demonstre uma evolução efetiva da candidatura.
Em vez de avanços, o que se constata é uma sucessão de anúncios em cima de anúncios. Novos estudos, novas apresentações públicas, novos protocolos e novas intenções são repetidamente divulgados num processo que nunca parece sair da fase preparatória.
Este caso é só mais um exemplo do problema recorrente deste executivo camarário: a facilidade com que comunicam o objetivo e a dificuldade em concretizá-lo. Anunciam primeiro e com grande pompa, sem um plano devidamente estruturado e pensado. Consequência: Na maior parte das vezes, ficam os projetos pelo caminho. 
A tradição vidreira faz parte da identidade histórica e cultural de Oliveira de Azeméis. Merece reconhecimento, valorização e uma estratégia séria que produza resultados. Merece mais do que conferências, espetáculos ou protocolos sucessivamente apresentados como grandes avanços.
Nove anos depois, o património vidreiro continua à espera. E os oliveirenses continuam à espera de respostas. O património não se promove com anúncios. Constrói-se com trabalho, e resultados. E esses continuam por aparecer.

* Economista, natural de S. Roque

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