> Paulo Monteiro
O programa Erasmus+ é uma iniciativa da União Europeia que permite a estudantes universitários estudar durante alguns meses noutro país europeu. O seu objetivo principal é promover o contacto entre culturas, incentivar a aprendizagem de línguas e desenvolver competências pessoais e profissionais. Para muitos jovens portugueses, esta é a primeira experiência prolongada a viver no estrangeiro. Mais de 100 mil estudantes universitários portugueses já participaram no programa ao longo de 40 anos de existência. Espanha, Itália e França são tradicionalmente os principais países de destino dos estudantes portugueses, com crescente interesse pela Polónia. O ciclo atual do programa, tem um foco reforçado na inclusão social, transição digital e sustentabilidade ambiental.
Para a maioria dos participantes, o Erasmus é uma experiência muito positiva. Para além da vertente académica, os estudantes desenvolvem autonomia, conhecem pessoas de várias nacionalidades e adquirem uma visão mais aberta do mundo. No entanto, viver noutro país também leva muitos jovens a comparar as condições de vida e de trabalho com as de Portugal. Em vários países europeus, os salários são mais altos e as oportunidades profissionais parecem mais atrativas, o que pode influenciar decisões futuras.
Os dados mostram que a emigração jovem continua a ser relevante: cerca de 30% dos portugueses entre os 15 e os 39 anos vivem no estrangeiro, e muitos jovens admitem considerar emigrar. Uma grande parte destes emigrantes possui formação superior, o que levanta preocupações sobre a chamada “fuga de cérebros”.
Apesar disso, o Erasmus+ não é a causa direta da emigração. O programa apenas facilita a primeira experiência com a vida internacional e cria redes de contactos. A decisão de sair do país está mais relacionada com fatores como salários baixos, precariedade laboral e poucas oportunidades de progressão em Portugal.
Ao mesmo tempo, a mobilidade internacional também pode trazer benefícios. Muitos jovens regressam com novas competências e experiência. O verdadeiro desafio para Portugal é criar condições de trabalho e valorização profissional que incentivem esses jovens a voltar e a contribuir para o desenvolvimento do país.
* Colaborador