ESAN “atingiu o limite” e quer crescer pela investigação

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Martinho Oliveira, diretor da Escola Superior Aveiro Norte, defende que o crescimento da escola deve passar agora sobretudo pela investigação e pela ligação às empresas.

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Martinho Oliveira considera que a Escola Superior Aveiro Norte chegou ao limite da capacidade das atuais instalações. A Fábrica do Futuro será a primeira peça de um plano para deslocar parte da investigação avançada para um novo espaço e transformar o campus de Oliveira de Azeméis num ecossistema ligado às empresas e ao desenvolvimento tecnológico.

A Escola Superior Aveiro Norte (ESAN) não tem condições para continuar a aumentar indefinidamente a oferta formativa nas atuais instalações. O diagnóstico é do diretor, Martinho Oliveira, que coloca agora o crescimento pela investigação no centro da estratégia da escola.
“Eu diria que atingimos o nosso limite”, afirmou, referindo-se ao espaço disponível para instalar novos cursos, laboratórios, oficinas, equipamentos e recursos humanos.
A nova licenciatura em Engenharia de Software Industrial, que a escola se prepara para lançar, será ainda acomodada no edifício existente, obrigando ao reforço de laboratórios de informática, robótica e automação. Depois disso, a prioridade deverá passar menos pela abertura de cursos e mais pela criação de condições para projetos de investigação com empresas.
É nesse contexto que surge a Fábrica do Futuro, uma infraestrutura que Martinho Oliveira apresenta como a âncora de um projeto mais vasto para a presença da Universidade de Aveiro em Oliveira de Azeméis.

Um espaço preparado para mudar
A Fábrica do Futuro não deverá funcionar como uma unidade industrial convencional nem ficar presa a uma única linha de produção. A intenção é criar um espaço flexível, onde possam ser montados e desmontados equipamentos e soluções em função dos projetos em curso.
Martinho Oliveira descreve a futura infraestrutura como um “chão de fábrica” capaz de acompanhar as mudanças da indústria. Um projeto poderá ocupar o espaço durante dois, três ou quatro anos e, depois de concluído, dar lugar a outra configuração. “Espero que alguém vá lá um dia e veja uma coisa e que, passado dois anos, veja uma coisa completamente diferente”, explicou.
A flexibilidade pretende evitar que a escola fique condicionada por máquinas, tecnologias ou áreas de investigação que possam perder relevância. O espaço será adaptado aos desafios colocados pelas empresas e às transformações nos processos industriais.

Mestrados e doutoramentos junto das empresas
A nova infraestrutura deverá ser ocupada sobretudo por investigadores, bolseiros e estudantes em fases avançadas de formação. Martinho Oliveira aponta os mestrados e doutoramentos como os principais destinatários do espaço, embora alguns projetos de licenciatura também possam ser desenvolvidos na Fábrica do Futuro.
A ligação às empresas será uma das características centrais. Segundo o diretor, cerca de 90% da atividade de investigação da ESAN já é realizada em colaboração com o tecido empresarial.

Investimento de 7,3 milhões
A construção da Fábrica do Futuro representa um investimento estimado em 7,3 milhões de euros. O projeto deverá combinar financiamento público, participação municipal e investimento privado.
A infraestrutura será dinamizada por uma associação criada para o efeito, maioritariamente privada. Cerca de metade do investimento deverá ser assegurada através de financiamento da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
O projeto de arquitetura foi elaborado pela Universidade de Aveiro e é da autoria do mesmo arquiteto responsável pelo atual edifício da ESAN.
De acordo com Martinho Oliveira, faltam pequenas retificações nos mapas de quantidades antes do lançamento do concurso. O diretor aponta para um prazo de dois a dois anos e meio até que a nova infraestrutura comece a tornar-se visível no campus.

 

Primeira peça de um plano maior
A Fábrica do Futuro é apenas a primeira fase de uma visão mais ampla para a expansão da Universidade de Aveiro em Oliveira de Azeméis. Martinho Oliveira revelou ter apresentado à Reitoria, à Câmara e a outras entidades locais uma proposta global de desenvolvimento do campus, com um investimento potencial superior a 50 milhões de euros.
O plano não deverá ser executado de uma só vez. A estratégia passa por avançar gradualmente, consolidando cada infraestrutura antes de iniciar a seguinte.
Além da Fábrica do Futuro, o campus deverá contar com as residências universitárias atualmente em construção e com uma cantina, cujo projeto já estará preparado. Depois da consolidação deste núcleo, poderão surgir novos espaços destinados a acolher iniciativas de natureza industrial e outros projetos de inovação.
O diretor considera, contudo, que o crescimento não depende apenas da Universidade de Aveiro. O envolvimento do Município, das empresas e das associações empresariais será determinante.
“Se não houver empenho e envolvimento do lado da Câmara Municipal e dos empresários, o projeto não cresce”, afirmou Martinho Oliveira, defendendo que a expansão da escola deve acompanhar a relevância industrial e económica da região.

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