15 May 2026
Câmara estuda soluções que até podem dispensar a construção
A rede de saneamento está a avançar na freguesia, mas a solução para encaminhar e tratar os efluentes ainda não está fechada. Após uma localização inicial muito contestada pela população, a Câmara até já admite estudar uma alternativa à construção de uma ETAR em Pindelo.
Pindelo continua sem uma localização definida para a solução de tratamento das águas residuais da freguesia. Apesar de a empreitada das redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais em Carregosa e Pindelo estar a avançar no terreno, o destino final dos efluentes recolhidos pela futura rede permanece em estudo.
A indefinição tem gerado preocupação na freguesia, sobretudo pela hipótese de construção de uma ETAR em Pindelo. O município admite, no entanto, que está a avaliar alternativas técnicas que possam evitar essa solução, nomeadamente através de um emissário que encaminhe as águas residuais para tratamento fora da freguesia.
Em causa está uma decisão considerada essencial para que a nova rede de saneamento não fique sem resposta no momento em que estiver concluída. Sem uma solução de tratamento, a infraestrutura de recolha perde efeito prático.
O assunto voltou a ser discutido na reunião de Câmara de 13 de maio, depois de Manuel Almeida, vereador do CHEGA, ter pedido esclarecimentos sobre o ponto de situação do processo, a eventual localização da infraestrutura e o calendário previsto para a obra.
Joaquim Jorge garantiu que ainda não há uma decisão fechada. “Não existe nenhuma localização definida, não existe nenhum projeto feito para aquela localização específica”, afirmou o presidente da Câmara.
O autarca admitiu mesmo que o executivo gostaria de encontrar uma alternativa à construção de uma ETAR em Pindelo. “Se fosse possível, isso era ótimo”, disse, sublinhando que a solução continua a ser estudada.
Ainda assim, Joaquim Jorge deixou claro que a decisão não pode ser adiada indefinidamente. Depois de executada a rede, as águas residuais terão de ser encaminhadas para tratamento. “É preciso também tomar decisões no sentido de acautelar esta circunstância de termos rede e depois não termos onde fazer o tratamento. É a mesma coisa que não ter nada, ou é perto disso”, afirmou.
A empreitada das redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais em Carregosa e Pindelo já começou. Na mesma reunião, a Câmara ratificou o adiantamento de 2.232.882,15 euros à Construções Lousaestradas Ribeiro, Lda., empresa responsável pela obra.
O valor corresponde a 30% do preço contratual e está coberto por garantia bancária de igual montante, segundo a documentação municipal. Joaquim Jorge explicou que este mecanismo permite contabilizar parte da execução da empreitada, embora tenha reconhecido que isso não corresponde ainda a obra física realizada.
A proposta foi aprovada por maioria, com abstenção da AD e do CHEGA.
Hélder Simões, vereador do PS, explicou que o projeto chegou a apontar para uma localização resultante de propostas apresentadas pela população, entretanto estudadas e analisadas, mas reforçou que “não foi tomada ainda uma decisão concreta”.
Segundo o vereador, estão a decorrer estudos, incluindo levantamentos topográficos, para perceber se é possível encaminhar os efluentes através de um emissário até à zona de Vilar, ligando ao emissário existente. Essa alternativa poderá dispensar a construção de uma estação de tratamento em Pindelo, mas depende de confirmação técnica e, eventualmente, do reforço da capacidade da ETAR de destino.
Hélder Simões acrescentou que a decisão terá de ser tomada “nos próximos meses”, para que a solução esteja pronta quando a rede de saneamento estiver concluída.