“Façam qualquer coisa”: CHEGA e AD apertam câmara por causa do lixo

Concelho

Manuel Almeida exige fiscalização e Pedro Marques pede um serviço profissional para a recolha de monos

O lixo acumulado junto aos contentores e a demora na recolha de monos levaram o Chega e a AD a exigir medidas. Joaquim Jorge reconheceu falhas e avisou que os incumprimentos do prestador terão consequências.

A acumulação de lixo e de objetos volumosos em diferentes pontos do concelho esteve em destaque na reunião de Câmara desta quarta-feira. Manuel Almeida, do Chega, exigiu mais fiscalização e responsabilização dos infratores, enquanto Pedro Marques, da AD, defendeu a contratação de uma empresa especializada. Na resposta, o presidente da Câmara admitiu que a fiscalização existente “não é suficiente” e reconheceu problemas na cadeia de recolha e tratamento.

Manuel Almeida começou por responsabilizar quem abandona lixo fora dos contentores ou deposita resíduos inadequados na via pública. Para o vereador, estes comportamentos resultam, em parte, da “falta de civismo” e prejudicam toda a comunidade.

Apesar disso, considerou que a responsabilidade não pode ser colocada exclusivamente sobre os cidadãos. “Quando determinadas situações se repetem, importa perceber se a frequência da recolha é suficiente, se a capacidade dos contentores é adequada e se a fiscalização está a funcionar”, afirmou.

O vereador do Chega perguntou que medidas estão a ser tomadas para identificar quem abandona resíduos, se existem zonas críticas que exijam maior vigilância e se os meios de fiscalização são suficientes. “Não basta publicar apelos ao civismo. É necessário passar das mensagens à ação: fiscalizar, identificar, responsabilizar e sancionar quem incumpre”, defendeu.

“Façam qualquer coisa”

Pedro Marques também reconheceu que o abandono de resíduos não é um problema exclusivo de Oliveira de Azeméis, mas centrou a crítica nas dificuldades sentidas pelos munícipes quando solicitam a recolha de monos.

Segundo o vereador da AD, há chamadas que não são atendidas e tempos de espera demasiado longos. Perante a necessidade de retirar de casa um colchão, um móvel ou um eletrodoméstico, algumas pessoas acabam por colocar os objetos na rua.

“Não é só uma questão de mentalidade. O serviço público serve para servir”, afirmou Pedro Marques, insistindo que a Câmara deve encontrar uma solução. “Façam qualquer coisa, porque, de facto, isto é degradante.”

O social-democrata recuperou uma sugestão feita anteriormente: consultar o mercado e contratar uma empresa especializada na recolha de monos. Admitiu como exemplo um encargo anual de 100 mil euros, considerando que o investimento permitiria atacar um problema que o município não tem conseguido resolver sozinho.

Joaquim Jorge admite fiscalização insuficiente

Joaquim Jorge reconheceu a dimensão do problema. “Não é sério procurarmos mascarar a realidade. É um facto, está à vista de toda a gente”, declarou.

Questionado sobre a capacidade de fiscalização, o presidente respondeu diretamente: “Não é suficiente, porque, se fosse suficiente, não teríamos tantos casos.” Manifestou, contudo, dúvidas sobre a possibilidade de controlar todas as deposições ilegais, uma vez que muitas acontecem fora dos horários de fiscalização ou em locais isolados.

O autarca revelou ter abordado o problema com o comandante do Destacamento Territorial da GNR de Oliveira de Azeméis e prometeu mão pesada sempre que os responsáveis sejam identificados. “A Câmara Municipal será absolutamente implacável. Quem prevaricar será punido severamente”, garantiu.

Juntas recolhem, mas tratamento fica bloqueado

Joaquim Jorge separou o abandono ilegal dos problemas existentes no próprio serviço. Explicou que várias juntas de freguesia aceitaram fazer uma primeira recolha dos monos e concentrá-los nos respetivos estaleiros. A solução terá funcionado inicialmente, mas os materiais começaram a acumular-se por falta de capacidade para os encaminhar.

Segundo o presidente, parte do bloqueio encontra-se na ERSUC, responsável pelo tratamento em alta, que tem comunicado indisponibilidades nas linhas de receção. Sem conseguir entregar os materiais, o prestador contratado pela Câmara também não dispõe de espaço para armazenar, durante semanas, centenas de objetos recolhidos por todo o concelho.

O município registou igualmente problemas na recolha seletiva, associados a avarias de viaturas, falta de motoristas e outras dificuldades operacionais. Joaquim Jorge afirmou compreender que possam existir contratempos, mas lembrou que a empresa tem a obrigação de encontrar soluções e cumprir o contrato.

A Câmara tinha uma reunião prevista para quinta-feira com o prestador do serviço. O presidente anunciou a intenção de participar no encontro e deixou um aviso: as falhas “não podem persistir e vão ter consequências”.

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