Feriado municipal "foi criado para todos irem" à merenda

Concelho

O painel promovido pelo grupo Correio de Azeméis juntou diferentes gerações e perspetivas sobre a memória, a participação comunitária e o futuro das Festas de La Salette

> PAINEL "MEMÓRIAS DE LA SALETTE" RECUPEROU A HISTÓRIA DAS FESTAS E DEBATEU A PARTICIPAÇÃO DO CONCELHO

Eduardo Costa recordou que o feriado municipal de Oliveira de Azeméis nasceu para permitir a participação dos oliveirenses no último dia das Festas de La Salette. O painel promovido pelo Grupo Correio de Azeméis passou ainda pela Comissão de Melhoramentos, pelo período em que a Junta assumiu a organização, e pela sucessão na presidência da Associação das Festas.

O feriado municipal de Oliveira de Azeméis está diretamente ligado ao Dia das Merendas nas Festas de La Salette. A origem foi recordada por Eduardo Costa no encerramento do painel "Memórias de La Salette", promovido pelo Grupo Correio de Azeméis e transmitido pela Azeméis TV a partir do parque.
"O feriado municipal foi criado para vocês cá virem, para todos cá virem. É por isso que existe", salientou o diretor do Correio de Azeméis, defendendo que os habitantes do concelho devem ser mais lembrados da história desta data. 
A intervenção surgiu depois de Francisco Silva ter proposto uma valorização do último dia das festas como ponto de encontro das famílias, das associações e das diferentes freguesias. Para o representante do movimento associativo, o Dia das Merendas pode voltar a assumir uma posição central na mobilização da comunidade oliveirense.
"As festas não são da comissão, não são de nenhuma entidade. As festas são do povo", afirmou Francisco Silva. Embora seja necessária uma estrutura que assuma a responsabilidade pela organização, defendeu que La Salette deve ser vivida como a festa de todo o município e não apenas da cidade onde se realiza.
O dirigente reconheceu que as coletividades têm hoje calendários próprios muito mais preenchidos e que agosto coincide com férias, deslocações e o regresso de emigrantes. Ainda assim, entende que as festas "têm de ser mais vividas" pela comunidade, apontando o Dia das Merendas como uma oportunidade para aproximar novamente associações e famílias. 

Há menos gente ou apenas outras formas de participar?
O padre José Manuel Lima relativizou a ideia de que existe atualmente menos festa. Há mais iniciativas, festivais, viagens e propostas a disputar o tempo das pessoas, que passaram a escolher os momentos com que mais se identificam.
"Não há menos festa", sustentou. Alguns momentos continuam a mobilizar multidões, enquanto outros perderam participantes, mas o sacerdote considera que o evento não deve ser avaliado apenas pela quantidade de público. Na sua perspetiva, algumas componentes apresentam hoje maior qualidade do que há 20 ou 30 anos, fruto do cuidado colocado na preparação, na organização e nas celebrações. 
Rui Luzes Cabral também defendeu que a participação mudou de forma, em vez de ter simplesmente desaparecido. Uns oliveirenses procuram as procissões, outros os concertos, o folclore, as bandas, as tasquinhas ou um passeio pelo parque. Para o vice-presidente da Câmara, essa diversidade é parte da riqueza das Festas de La Salette.
O autarca considerou ainda que as freguesias mais afastadas estão hoje mais ligadas ao centro do município. "Todos os dias estão aqui milhares e milhares de pessoas", observou, rejeitando que os hábitos do passado devam ser recuperados por imposição. 


Das barraquinhas às merendas em família
As recordações pessoais ajudaram a mostrar as transformações ocorridas. Francisco Silva lembrou as barraquinhas de brinquedos, cutelarias e jogos das décadas de 1980 e 1990, além das farturas e dos divertimentos que marcavam as visitas ao parque com os pais.
Fátima Ferreira recordou uma infância em que a família participava primeiro nas celebrações religiosas e só depois seguia para as farturas e para os concertos das bandas. Na segunda-feira, um dos irmãos chegava de manhã cedo para guardar o lugar da merenda.
Acácio Silva nasceu junto à entrada de La Salette e passou no parque grande parte da infância. Rui Luzes Cabral situou a sua primeira recordação há mais de quatro décadas, quando, ainda criança, procurou abrir caminho entre a multidão para conseguir ver a Procissão do Triunfo.
Já Nelson Castro recuperou a história da seca de 1870 e da subida das populações ao então Monte Crasto para rezarem pela chuva. 

 

César Guedes marcou uma época na gestão do parque
Fátima Ferreira recuperou as diferentes fases da organização das Festas de La Salette, lembrando o papel desempenhado por António César Guedes na Comissão de Melhoramentos do Parque. César Guedes dedicou vários anos à estrutura, cuja presidência assumiu em 1978. A Comissão de Melhoramentos organizava as festas e percorria o concelho, sobretudo as empresas de maior dimensão, para angariar fundos. O dinheiro obtido permitia pagar o programa e assegurar a manutenção do parque durante todo o ano, sem recurso a verbas públicas.
Mais tarde, a organização passou para a Junta de Freguesia de Oliveira de Azeméis. Segundo Fátima Ferreira, houve um período em que as despesas com as festas absorviam um terço do orçamento da autarquia.
Atualmente, a responsabilidade pertence à Associação das Festas, cabendo à União de Freguesias apoiar os pedidos apresentados pela organização-

 

Acácio Silva assumiu presidência sem ter sido eleito para o cargo
Acácio Silva chegou à presidência da Associação das Festas de La Salette depois de ter iniciado funções como vice-presidente. A saída de Manuel Peixoto deixou a estrutura sem líder e as reuniões convocadas para encontrar uma solução não atraíram candidatos.
"Fizemos três reuniões ou quatro e não aparecia ninguém", contou. Perante a falta de disponibilidade para assumir a organização, sentiu que tinha a obrigação de avançar e aceitou a presidência.
Acácio Silva sublinhou que a equipa se manteve unida e que tem encontrado colaboração sempre que procura apoio. O dirigente, que cresceu junto ao parque, considera que o esforço desenvolvido é recompensado quando as festas começam e o recinto recebe os visitantes. 
Uma das alterações que já tinha defendido enquanto vice-presidente foi o fim da feira de roupa, calçado e outros artigos no interior do recinto. "As Festas de La Salette não são uma feira. As Festas de La Salette são uma festa", afirmou, explicando que o espaço foi entregue a tasquinhas de ranchos e associações, sem cobrança pela instalação. 

 

Bombeiros garantem "duplo planeamento" durante as festas
Nelson Castro deixou uma mensagem de tranquilidade quanto à segurança no Parque de La Salette. A intervenção surgiu depois de Eduardo Costa recordar um incidente antigo com uma criança, numa zona de divertimentos, em que as dificuldades de acesso atrasaram a chegada da ambulância.
O representante dos Bombeiros Voluntários explicou que foi preparado um dispositivo com meios humanos e viaturas para responder a eventuais ocorrências durante as festas, incluindo nas procissões das Velas e do Triunfo. 
O planeamento contempla situações médicas, acidentes e incêndios. Ao mesmo tempo, a concentração de pessoas no parque não deixa desprotegidas as restantes freguesias. "Está tudo planeado, está tudo assegurado", garantiu Nelson Castro.

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