15 May 2026
Na Praça da Cidade, um equipamento pensado para estacionamento público acabou parcialmente ocupado por viaturas e equipamentos municipais
Parque da Praça da Cidade tem servido de garagem e depósito da Câmara
Viaturas municipais, carrinhas do Transporte Flexível e parquímetros antigos ocuparam lugares num parque aberto ao público no centro da cidade
Criado para responder à falta de estacionamento no centro da cidade, o parque subterrâneo da Praça da Cidade/Gemini acabou também por servir de garagem e espaço de depósito da Câmara Municipal.
Viaturas municipais, carrinhas ligadas ao Transporte Flexível e parquímetros antigos ocuparam lugares num equipamento aberto ao público, apesar de o parque estar identificado para utilização em horário próprio, nos dias úteis e aos sábados.
A solução encontrada pelo executivo passa agora pela compra de três frações destinadas a garagem, por trás do Sorvete em Oliveira de Azeméis, num investimento de 150 mil euros. A câmara justifica a aquisição com a necessidade de retirar viaturas camarárias do parque subterrâneo do Gemini e devolver lugares aos munícipes. O Parque de Estacionamento Praça da Cidade, com funcionamento indicado para os dias úteis entre as 8h e as 20h e aos sábados entre as 8h e as 13h e tem sido apontado ao longo dos anos como uma resposta à necessidade de estacionamento no centro urbano, sobretudo numa zona próxima de serviços, comércio e equipamentos culturais. Mas, afinal, os lugares de um parque destinado ao público estavam a ser usados para necessidades internas da autarquia.
Parque “não deve servir como apoio logístico da Câmara”
A ocupação do parque foi levantada por João Costa, vereador da AD, durante a discussão da proposta. O eleito criticou a presença de viaturas municipais, carrinhas e parquímetros antigos no interior do parque subterrâneo, considerando que aquele espaço deve servir os utilizadores do centro da cidade e não funcionar como apoio logístico da Câmara.
João Costa referiu em particular o “depósito de parquímetros” naquele local e apontou ainda a existência de um cone a bloquear o lugar destinado a pessoas com deficiência. Para a oposição, a ocupação do parque retirava lugares aos munícipes num equipamento cuja função principal é garantir estacionamento no centro.
Executivo admite que material “não devia estar ali”
Rui Luzes Cabral reconheceu que os parquímetros antigos “não estão no espaço que deviam estar” e admitiu que a Câmara terá de encontrar uma solução para retirar esse material do parque. A explicação operacional foi dada sobretudo por Hélder Simões. O vereador explicou que parte das viaturas municipais estava antes na garagem do Caracas, mas teve de ser deslocada para o parque subterrâneo devido às obras naquele edifício. Segundo o executivo, a compra das três garagens permitirá retirar essas viaturas do Gemini e libertar lugares para avenças ou estacionamento diário. Em declarações ao Correio de Azeméis, enfatizou no entanto que nunca foram colocados em causa “todos aqueles que quiseram entrar”.
A proposta foi aprovada por maioria, com votos favoráveis do PS, abstenção do CHEGA e votos contra da AD. Pedro Marques justificou a oposição por considerar que a proposta não fundamentava suficientemente o interesse público da aquisição.