Grupo Folclórico de Cidacos voltou a organizar Festival das Festas de La Salette nove anos depois

Concelho

O Grupo Folclórico de Cidacos voltou a organizar o Festival de Folclore das Festas de La Salette, nove anos depois da última edição que teve a seu cargo.

O Grupo Folclórico de Cidacos voltou, nove anos depois, a assumir a organização do Festival de Folclore das Festas de La Salette. A noite de sábado reuniu quatro formações no Parque de La Salette e levou ao palco tradições de Oliveira de Azeméis, Amarante, Ponte de Lima e Águeda.

O Grupo Folclórico de Cidacos não organizava o Festival de Folclore de La Salette desde 2017. A responsabilidade regressou este ano à coletividade no âmbito do sistema de rotatividade entre os grupos do concelho.

Ao grupo anfitrião juntaram-se o Grupo Folclórico de Vilarinho, de Vila Caiz, Amarante, o Rancho Folclórico da Ribeira, de Ponte de Lima, e o Grupo Típico As Velhas Guardas do Cancioneiro, de Águeda. Esta última participação recuperou também uma ligação histórica: o Cancioneiro de Águeda foi padrinho do Grupo Folclórico de Cidacos em 1960. 

Festival abriu espaço a grupos não federados

Outra das opções da organização passou por não restringir o encontro a grupos federados. António Resende, presidente do Grupo Folclórico de Cidacos, explicou que tanto Vilarinho como o Rancho Folclórico da Ribeira se encontram fora da Federação e defendeu que a participação em festivais pode funcionar como incentivo para coletividades que pretendam evoluir, criar intercâmbios e aproximar-se das estruturas federativas.

O Rancho Folclórico da Ribeira participou pela primeira vez nas Festas de La Salette. Com 41 anos de atividade, trouxe de Ponte de Lima os cantares, as danças, o ritmo e o som das castanholas, apontados pela própria direção como elementos característicos da representação que apresentou em Oliveira de Azeméis.

Também o Grupo Folclórico de Vilarinho se estreou no festival de La Salette. A coletividade de Amarante, que completa 49 anos em novembro, chegou através da habitual lógica de permutas entre grupos: poucos dias antes tinha recebido o Grupo Folclórico de Cidacos no seu festival e devolveu agora a visita.

 

“É PRECISO QUE ESSES GRUPOS SEJAM ACARINHADOS” “É preciso que esses grupos sejam acarinhados, principalmente as direções. Um grupo pode querer ir ao estrangeiro, participar como grupo federado e fazer permutas. Não sendo federados, vêm mostrar aqui a Oliveira de Azeméis o melhor que fazem.” António Resende, presidente do Grupo Folclórico de Cidacos

CASTANHOLAS LEVARAM O ALTO MINHO A LA SALETTE “Alegria, os cantares, as danças, as músicas, o ritmo, as castanholas. Tudo isso é alegria do Alto Minho, é o que nós levamos.” Presidente da direção do Rancho Folclórico da Ribeira

“ESTÁ TUDO ASSEGURADO” “Nós temos muita juventude. Hoje estão aqui a faltar pelo menos três casais, também jovens, mas a respeito de dançarinos estamos muito bem.” Adelaide Pinto, presidente do Grupo Folclórico de Vilarinho

“OS GRUPOS TÊM DE TER MUITA RESILIÊNCIA” “Os grupos têm que ter muita resiliência para conseguir levar isto para a frente e manter as tradições. Tem que se gostar mesmo daquilo que representamos. Vamos andando, vamos lutando e vamos espalhando as nossas tradições e os nossos usos e costumes.” António Peixoto, Grupo Folclórico As Padeirinhas de Ul

 

Padeirinhas de ul recebem testemunho para 2027

A edição de 2027 já tem organizador. No final do festival, o Grupo Folclórico de Cidacos passou o testemunho às Padeirinhas de Ul, que vão assumir pela terceira vez a preparação do encontro integrado nas Festas de La Salette.

António Peixoto recebeu a responsabilidade olhando também para as mudanças que o festival sofreu ao longo dos anos. Considera que o folclore já não consegue atrair o público de outros tempos, em parte porque desapareceram gerações que acompanhavam regularmente os ranchos e porque a oferta de espetáculos e festas é hoje muito maior.

“Gostaríamos que voltasse a uns 20 anos atrás”, admitiu. Na sua memória estão anos em que La Salette recebia multidões e em que os emigrantes faziam coincidir as férias com a semana das festas. Agora, entende, a multiplicação de eventos divide o público e obriga os grupos a trabalhar mais para manter o interesse pelas tradições.

 

Vilarinho e ponte de lima mostraram que há jovens no folclore

A dificuldade em captar novas gerações é uma preocupação recorrente entre os grupos folclóricos, mas duas das formações que passaram este ano por La Salette deixaram uma imagem diferente.

Adelaide Pinto não apresentou dúvidas quanto ao futuro do Grupo Folclórico de Vilarinho. A presidente da direção afirmou que existe “muita juventude” na coletividade e revelou que na deslocação a Oliveira de Azeméis faltavam ainda três casais jovens.

No Rancho Folclórico da Ribeira a juventude foi igualmente visível a quem acompanhou o desfile e a atuação. A presença de muitos elementos jovens no grupo de Ponte de Lima não passou despercebida e chegou mesmo a motivar comentários entre o público enquanto a formação seguia em direção ao palco. Num festival em que o envelhecimento dos grupos é frequentemente apontado como uma das ameaças à continuidade do folclore, a imagem oferecida pelas duas formações mostrou uma realidade menos pessimista.

LEGENDA O Grupo Folclórico de Cidacos voltou a organizar o Festival de Folclore das Festas de La Salette, nove anos depois da última edição que teve a seu cargo.

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